76. O Código Florestal de cada um

amazoniaO Congresso Nacional deu seu voto a favor de um modelo de desenvolvimento baseado na concentração de terras e na dilapidação imediata das reservas naturais, pouco se importando com as gerações futuras. Mas podemos recusar o consumo de madeira e outros produtos ilegais da floresta.


No comércio brasileiro, madeira nativa proveniente de manejo florestal (ou seja, retirada conforme a lei) é exceção. Isso quer dizer que as cadeiras onde sentamos, os tacos em que pisamos e as vigas que sustentam nossos telhados são frutos do desmatamento criminoso ou bem antigos, confeccionados com árvores derrubadas antes de haver leis protegendo as florestas.

Quer ver um exemplo? Há alguns anos, eu estava procurando uma mesa de centro para minha sala. Gostei dos móveis de uma loja bacaninha na Vila Madalena e perguntei se ali se trabalhava com madeira certificada. A vendedora, fashion e descolada, disse sem piscar: “Claro que sim!”. Desconfiei da rapidez e concisão da resposta. Por isso questionei se ela sabia o que era certificação de madeira. Ouvi um “não” gaguejado. Tempos depois, foi construída a casa onde hoje moro com minha família. Durante a obra, eu me tornei uma dor-de-cabeça para o engenheiro, pois tentei de todas as maneiras impedir a entrada de madeira de desmatamento na obra e, mesmo no caso das madeiras de reflorestamento, evitar o desperdício desse material. Descobri com meus próprios olhos o que leio aqui e ali: na construção civil, a origem da madeira está longe de ser questionada e o uso exagerado é a regra.

Infelizmente, uma visão de desenvolvimento retrógrada e injusta prevaleceu na votação do novo Código Florestal. Detalhe trágico: naquele mesmo dia, foram assassinados José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, ativistas e líderes de um projeto agroextrativista sustentável no Pará. Mas nós podemos contestar essa decisão todos os dias, usando nosso poder de consumo, algo que, no mundo atual, tem se mostrado mais efetivo do que o voto. É preciso lembrar que só existe comércio de madeira ilegal porque as pessoas compram isso. Só existe pecuária e plantações de soja em áreas de desmatamento porque há mercado.

Então, acho que cada um deve consultar sua consciência e criar um Código Florestal próprio. O meu é esse aí:

  • Evito ao máximo adquirir produtos novos de madeira. Continuo com os que já possuo há anos e, se preciso de algo, dou preferência aos reformados, reciclados, doados. Em último caso, recorro aos itens feitos de bambu, eucalipto e pinus, que são renováveis;
  • Os “armários embutidos” da minha casa são simples prateleiras, sem fundo e sem portas, feitas de pinus.
  • Os tacos do chão foram feitos com cacos de madeira certificada destinada à exportação. Saiu bem caro e foi dificílimo encontrar o Elias, um dos raros fornecedores preocupados em cumprir a lei e não detonar o meio ambiente. Mas valeu a pena e soube que ele também trabalha com peças maiores. Aí vão os contatos: elias-rosa@hotmail.com e (11) 7611-8528;
  • Dou preferência absoluta aos orgânicos, já que os produtores do setor são obrigados a manter áreas preservadas em seus sítios e pelas 10 outras razões que estão aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/68-10-razes-para-optar-por-orgnicos/;
  • Eliminei a carne vermelha e controlo a quantidade dos outros ingredientes animais do meu cardápio. Não condeno quem coma, mas não preciso desse alimento e assim aproveito para diminuir a pressão para que os pastos e as plantações de soja se estendam sobre áreas de floresta;
  • Li com muita atenção o relatório Conexões Sustentáveis e coloquei na lista negra as empresas coniventes com fornecedores criminosos  (leia mais em http://conectarcomunicacao.com.br/blog/63-vivendo-em-paulo-destruindo-amaznia/ ). Minha “birra” vai terminar imediatamente quando essas companhias comprovarem ter mudado seus procedimentos;
  • Embora esse assunto não faça muito sucesso em rodinhas de conversa, costumo trazê-lo à tona.

Não vou falar sobre as implicações políticas e sociais da mudança no Código Florestal, pois há quem faça isso com muito mais competência. Recomendo:

Artigo da MIRIAM LEITÃO, no Globo e aqui:
A Terra se move http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/05/26/a-terra-se-move-382721.asp

Blog do LEONARDO SAKAMOTO, em especial os posts:
Sua vida pode ser melhor, mas o Congresso não deixa http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/05/30/sua-vida-pode-ser-melhor-mas-o-congresso-nao-deixa/comment-page-1/
Violência na Amazônia: falta coragem para resolver o problema http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/05/31/violencia-na-amazonia-falta-coragem-de-enfrentar-o-problema/

Artigo do JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, no Estadão e aqui:
O polígono da violência http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2011/05/30/o-poligono-da-violencia/  

Vídeo do JOSÉ CLAUDIO RIBEITO (o ativista assassinado) no TEDxAmazônia: http://www.youtube.com/watch?v=XO2pwnrji8I

75. O sabão sustentável da Sílvia

Vai aí a receita para fazer sabão em casa com óleo de cozinha usado e uma boa conversa sobre o passado das nossas famílias.

Fiquei sabendo que a mãe de uma criança que estuda no mesmo colégio que os meus filhos recolhe na vizinhança o óleo de cozinha usado para fazer sabão em casa. Depois devolve o produto para as pessoas que doaram a matéria prima com uma mensagem de agradecimento e incentivo a continuar evitando a contaminação do meio ambiente. Demais, né? Quis ver isso de perto, claro. Então me candidatei a ajudar na fabricação e lá fui eu.

Silvia Carui é administradora de empresas, durante muito tempo dirigiu um instituto de pesquisas e está prestes a fundar uma empresa de comércio exterior. Inconformada com o desperdício e o grande estrago que o óleo descartado incorretamente provoca, experimentou várias receitas de sabão artesanal e, durante a entressafra na carreira, virou expert no assunto.

Quando perguntei como surgiu essa história de fabricar sabão, ela disse que cresceu no interior e lá a atividade, que até hoje faz parte da rotina da mãe dela, ainda é comum. Por uma incrível coincidência, Silvia, que é descendente de italianos como eu, nasceu em Penápolis, assim como meu pai. Então é mais do que provável que nossas avós tenham se conhecido.

Pegamos um quilo de soda cáustica e jogamos num balde de plástico. Despejamos em cima um litro de água fervente (sai um vapor tóxico, então é preciso se afastar nessa hora). Fiquei mexendo com um cabo de vassoura e Silvia brincou que aquilo parecia um caldeirão de bruxa. Conversa vai, conversa vem, percebi como o mundo mudou rápido. Nossas avós tinham galinheiro e horta no quintal, costuravam as próprias roupas, faziam pão e quase nunca compravam nada pronto. Lixo era algo que não existia, pois tudo se reaproveitava.

Depois que a soda estava dissolvida na água, pegamos os 5 litros de óleo usado, que estava dentro de garrafas PET, e pusemos na mistura, com o líquido passando antes pelo coador. Mais mexe-mexe, adicionamos 200 ml de amaciante de roupas e, para terminar, colocamos a pasta resultante numa bandeja de plástico. Ficou uma camada de cerca de 4 cm. Silvia guardou o preparado no armário e me disse que dali uma semana estaria branco e durinho, pronto cortar e usar.

Achei fácil e uma delícia fazer sabão. Na internet, descobri que a receita original, com mais de 5.000 de idade, consistia simplesmente em misturar cinzas com gordura animal. As fábricas surgiram há menos de três séculos. Ou seja, foram 4.700 mexendo o caldeirão no quintal, assim como Silvia e eu fizemos na varanda do moderníssimo apartamento dela.

Ganhei de presente umas barras que já estavam prontas e tenho usado para lavar louça. O produto é ótimo! Limpa superbem, não agride a pele e não tem aquele cheiro enjoado dos detergentes.

PS – Nunca jogue fora o óleo usado, pois um litro polui 1 milhão de litros de água. Se não quiser reciclar você mesmo, guarde e leve a um posto de coleta. Muitos supermercados recebem esse resíduo e pontos de entrega em todo o país estão listados aqui: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI86068-17334,00.html

SABÃO DA SÍLVIA

INGREDIENTES
5 litros de óleo de cozinha usado e coado
1 kg de soda cáustica em pó ou escamas
1 litro de água fervente
200 ml de amaciante
10 gotas de essência para perfumar (opcional)

COMO FAZER
Coloque a soda num balde resistente e em seguida a água fervente. Cuidado com o vapor tóxico! Mexa bem até a soda dissolver. Acrescente o óleo e continue mexendo. Junte o amaciante e a essência (se quiser). Despeje a mistura numa assadeira de plástico ou metal e deixe esfriar. Espere uma semana, corte em pedaços e pode usar. Dura cerca de dois anos.

74. Visita às galinhas

Qual a diferença entre o frango e os ovos orgânicos, caipiras, naturais e convencionais? Para descobrir, fui ao interior conhecer de perto as granjas alternativas.

Comecei esse blog há um ano e tem sido uma experiência e tanto. Como os temas dos posts continuam se desenrolando na minha cabeça depois de publicados, decidi escrever um livro para registrar essas reflexões e experiências de uma forma mais profunda e não fragmentada. No livro, que ainda vai demorar para sair, tem um capítulo chamado Comida. Ao editá-lo, percebi que já tinha visitado ou pelo menos conversado com os fornecedores que elegi, tanto de vegetais e laticínios orgânicos quanto de peixes capturados de forma artesanal. Tenho o maior orgulho deles e recomendo mesmo: www.aboaterra.com.br; www.cestaorganica.com.br; www.pescadooriginal.com.br; www.natadaserra.com.br.

Acontece que eu quase nada sabia sobre a vida das aves que vão parar no meu prato, embora há muitos anos tenha deixado de consumir marcas comuns. O frango de casa é Korin e os ovos, Yamaguishi (com o ótimo slogan “Galinhas não são máquinas de botar ovos”) ou Sabor e Cor.

Embora os produtos sejam mais caros, tomei essa atitude sensibilizada pelos alertas que ecologistas e protetores de animais fazem sobre a realidade nada bonita das granjas modernas, que se tornaram fábricas de proteína movidas por uma engrenagem chamada galinha. Para quem se interessa pelo assunto, o documentário Food,Inc e o livro “Comer Carne”, de Jonathan Safran Foer,  mostram como é a produção convencional de ovos e frango. A ONG Peta (People for The Ethical Treatment of Animals) oferece informações valiosas: http://www.peta.org/issues/animals-used-for-food/chicken-industry.aspx.

Um trailer muito resumido da situação: as aves vivem em galpões apinhados (cerca de 14 por metro quadrado) ou, pior ainda, espremidas em gaiolas, sem jamais conhecer a vida ao ar livre. Seus bicos são cortados para que não se matem reciprocamente. Antibióticos e substâncias químicas que aceleram o crescimento são adicionados à ração e à água, trazendo a perspectiva sinistra de forçar a seleção de bactérias super-resistentes. Para estimular a produção de ovos, a luz fica permanentemente acesa. Com cerca de seis semanas, são abatidas. Enfim, as galinhas comuns parecem viver em um campo de concentração nazista.

Mas será que as granjas alternativas são realmente diferentes?

Para descobrir isso, resolvi fazer um Galinha-Tur, que começou em Ipeúna, perto de Rio Claro, sede do setor agropecuário da Korin. Fui muito bem recebida na empresa e conversei bastante com a gerente de qualidade Cecilia Ifuki Mendes, que muito gentilmente me deixou visitar as instalações e até me convidou para o almoço orgânico no refeitório da firma.

O esquema lá é o seguinte: a Korin compra e distribui pintinhos com um dia de vida para cerca de 20 produtores integrados (sitiantes da região), que os criam dentro de galpões. A empresa também fornece uma ração fabricada em suas dependências e mantém veterinários e zootecnistas percorrendo incessantemente as granjas para verificar se as aves estão sendo tratadas de acordo com as diretrizes da AVAL (Associação de Avicultura Alternativa). Com mais ou menos a mesma idade do frango convencional, vão para o abatedouro da Korin, onde não pude entrar porque no dia da minha visita um grupo de rabinos estava matando as aves de acordo com os preceitos kosher. 

Já as poedeiras são criadas dentro da Korin, em galpões ventilados e não muito lotados. As galinhas ficam pelo chão e não têm dificuldade de caminhar (triste situação que vi no documentário Food, Inc). Elas têm casinhas para colocar os ovos, fazem “glu-glu” o tempo todo e olham curiosas para quem aparece. A luz fica ligada 15 horas por dia e infelizmente não passeiam lá fora. Entrei na fábrica de ração e a comida – uma mistura triturada de milho, soja e sais minerais — parece bem palatável, além de ser totalmente vegetariana, respeitando a característica da espécie.

Embora tenha frangos orgânicos, a maioria da produção da Korin é de “frango natural”. A diferença é que o milho e a soja da ração não são orgânicos. Outra classificação é a da “galinha caipira”, que pode ser orgânica ou não, e vive solta até ser abatida com cerca de 70 dias de vida.

Resumindo minhas impressões: as galinhas da Korin parecem viver em um colégio interno do tipo tradicional.

Saí de Ipeúna e fui direto para Saltinho, perto de Piracicaba, onde encontrei o jovem agrônomo Rogério Sakai, um dos sócios da Sabor e Cor. Com dois outros colegas de faculdade, ele abriu a empresa rural, que atualmente produz ovos e tomates requisitadíssimos por consumidores naturebas como eu e chefs de restaurantes bacanas. No momento da minha visita, eram 4 funcionários e 1.000 galinhas, mas o negócio está em plena expansão. O galpão onde moram as galinhas tem saídas e elas podem passear quando quiserem. Cheguei no final da tarde, momento em que se recolhem. Mas dezenas ainda estavam se divertindo no matinho ao lado. Rogério me contou que galinhas são territorialistas e montam turmas, sendo que as líderes ficam na posição mais alta do poleiro ou dos “predinhos de apartamento” onde colocam os ovos. Cada grupo usa exclusivamente uma das entradas e ocupa uma região específica do galpão, num esquema parecido com o das torcidas de futebol. Entramos. Elas se aproximaram e começaram a dar bicadinhas nos nossos sapatos. Muito fofas! A Sabor e Cor tem uma minifábrica de ração e utiliza soja e milho orgânicos de Foz do Iguaçu (uma das poucas regiões onde ainda não há contaminação de transgênicos). Por isso os ovos são orgânicos. Sem condições de instalar um abatedouro, o start-up do campo não cria aves de corte.

Saí de lá achando que as galinhas Sabor e Cor vivem num colégio interno do tipo liberal.

O engraçado é que, poucos dias depois do passeio, minha cunhada Lucilene, sabendo desses interesses galináceo-alternativos, me presenteou com duas dúzias de ovos vindos do vizinho de sua mãe, que mora em Itapetininga. Lá as galinhas são criadas no quintal, os pintinhos ficam com suas mães e o galo está sempre por perto. Tecnologia nenhuma e muita liberdade. As galinhas comem milho e ciscam à vontade, como sempre foi antes das pessoas se concentrarem nas grandes cidades e a produção de alimentos ser transferida para empresas.

No final, fiquei achando que essas eram as galinhas mais felizes, pois vivem soltas, num  pequeno grupo familiar.

73. Sem medo de dizer adeus às sacolinhas

Finalmente os supermercados deixaram de oferecer sacos plásticos de graça. Veja como transformar o uso das ecobags num hábito.

Já faz quase duas décadas que levo minhas sacolas para o supermercado. Posso garantir que esse sistema é muito melhor não só para o meio ambiente como para a organização doméstica. E me atrevo a responder as dúvidas mais comuns…

Qual o melhor tipo de ecobag?
A que você usa por muito, muito tempo. Aqui em casa, algumas são mais velhas que meus filhos (ou seja, têm mais de dez anos). A sacola pode ser de lona de caminhão, tecido, plástico, outdoor reciclado, a mesma que sua avó levava na feira. Pode ser hype ou lesada, nova ou velha, discreta ou maluca, grande ou pequena. O importante é andar sempre com elas. O principal problema dessa alternativa é quando a pessoa vira consumidora compulsiva de ecobags, vai acumulando dezenas em casa e nunca as leva para as compras. Fique muito claro que as ecobags usam recursos naturais para serem produzidas e o simples ato de comprá-las não torna ninguém um consumidor mais consciente.

Como faço para não esquecer?
Utilize o mesmo método da escovação de dentes: hábito. Aos poucos, pegar a sacola quando pretende ir ao supermercado passa a ser automático. Enquanto isso não acontece, deixe duas ou três no carro, para garantir. E como não esquecer de levar para o carro? Quando guardar as compras, jogue as sacolas perto da porta, bem no meio do caminho. Ao sair de casa de novo, terá que esbarrar nelas. Aí é só recolher e (se estiver com pressa ou for destrambelhada como eu) atirar dentro do veículo de qualquer jeito.

Dá trabalho?
Sim. Da mesma forma que cultivar relacionamentos, ter filhos, animal de estimação, fazer exercícios, comer direito, comprar ingressos para o show da sua banda preferida. Tudo que é bom na vida demanda investimento. Além de arranjar um lugarzinho na cozinha ou área de serviço para elas (recomendo pendurar), de vez em quando será preciso lavar as sacolas. Também tenho preguiça, mas na minha opinião essa é uma das melhores maneiras de passar a limpo a alma. Quando lavo e penduro no varal as sacolas de compras me sinto muito leve. A cada dois meses mais ou menos, vale a pena economizar uns minutos de TV ou Facebook, arregaçar as mangas e deixar as sacolas tinindo. Não vou fazer propaganda enganosa: de vez em quando elas arrebentam e precisam de reparos com agulha e linha. Outra ótima ocasião para evoluir espiritualmente cultivando a humildade e contemplando o ciclo da vida e das coisas.

Com ecobag demora mais para empacotar no supermercado?
Não. Aliás é bem mais rápido do que usando saquinhos. Eu até prefiro dispensar o empacotador para agrupar de um jeito que simplifica a tarefa de guardar. Separe uma sacola para os gelados e vá juntando as compras de acordo com o armário a que se destina. Não esqueça de colocar no fundo garrafas, latas e itens mais resistentes. Se dividir igualmente o peso entre as sacolas, suas vértebras agradecerão.

Ficarei sem saquinhos para o lixo da cozinha e do banheiro?
De forma alguma. Tudo o que a gente compra — de revista a almofada, do pão de forma de todo dia ao gelo da balada — vem em saco plástico. Vá guardando, sabendo que cada tamanho tem sua função. Aqui em casa está sempre sobrando saco plástico. Se por acaso faltar, minha amiga Juliana Valentini, a inventora do saco de lixo de origami feito com jornal ensina nesse vídeo a resolver o problema: http://www.deverdecasa.com/search/label/Sacolinhas%20pl%C3%A1sticas.

Sacolinhas descartáveis feitas plástico a base de milho ou oxibiodegradável são boas para a natureza?
Não. Trata-se de um produto desnecessário, que vira lixo imediatamente e consome à toa os recursos do meio ambiente. O plástico feito com matéria prima vegetal utiliza um espaço onde poderia haver cultivo de alimentos ou preservação florestal. Já o “oxibio” é ainda pior, pois tem componentes químicos tóxicos. Como se desfaz e vira pó, depois fica impossível recolher o poluente.

Os supermercados estão sendo sacanas porque passaram a cobrar por algo que era de graça?
Não vou entrar nessa discussão, já que estou longe de ser fã das grandes corporações de varejo e de produção de alimentos. Ninguém é obrigado a comprar as embalagens que eles vendem. Nem a frequentar esses locais. Se a postura dos supermercados o incomomoda por essas e outras razões, vá mais à feira, ao mercado municipal e, melhor ainda, torne-se cliente dos distribuidores de orgânicos que fazem entregas em casa. Dicas aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/98-diga-adeus-aos-agrotxicos/.

 Pronto: agora é só desapegar dos saquinhos!

  • E aproveite o embalo para dispensar também aqueles que embrulham frutas e legumes tanto no supermercado quanto na feira. Basta pegar na mão os vegetais e levá-los para a balança e depois para casa pelados como vieram ao mundo.
  • Quando seu casamento com as ecobags estiver de vento em popa, escolha a mais bonitinha e a transforme em companheira de shopping center. A atitude vanguardista faz o maior sucesso nas lojas descoladas!

72. Quero só um abraço

lion_hug-206x300Para que mesmo existe Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados, das Crianças, da Secretária? Adoro meus filhos, mas dispenso os presentes. Prefiro receber “só” carinho. E sem data marcada.

Preocupada com o impacto ambiental do consumo, tento simplificar a vida e possuir menos objetos. Ainda acumulando mais coisas do que gostaria, acredito que “doar para os pobres” nem sempre é a solução (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/1-pensamentos-varal/).  Por isso virei adepta do minimalismo e dispenso presentes de Natal, aniversário e Dia das Mães. Em vez de ganhar algo porque chegou o momento X do calendário, prefiro os presentes espontâneos de surpresa em dias comuns e acompanhados pela frase “Isso tem tudo a ver com você”. Meus favoritos são objetos ou roupas que pertenceram à pessoa que está ofertando. Ou então mudas de plantas para minha horta. Amo também guloseimas especiais, vinhos e livros emprestados para ler e comentar depois com a pessoa.    

Sobretudo perto de datas comemorativas, fujo de Shopping Centers, pois eles ficam ainda mais lotados e visualmente poluídos. Só que ser “do contra” não é fácil. Às vezes me sinto meio clandestina, pois escondo esse tipo de opinião para não estragar prazeres alheios. Curioso como os antigos tabus de comportamento social e sexual se foram, mas o preconceito contra os que questionam a sociedade de consumo é bem forte, a começar por apelidos como “ecochato” e “ecoxiita”.

Celebrações como Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados, das Crianças e da Secretária não existiam até algumas décadas atrás. A maioria delas foi criada ou popularizada por marqueteiros para incentivar compras. Já eu acharia bem mais interessante se nessas datas os rituais não se resumissem a consumir e cultuar individualidades. Juro que seria a primeira a me engajar nos festejos caso reaprendêssemos a reverenciar as energias da infância, da velhice, do amor, do masculino e do feminino que existem na natureza e dentro de todos cada um. 

Voltando ao tema das compras, deixo registrado que nós, adeptos da simplicidade voluntária, não acumulamos frustrações nem desconhecemos o glamour. Comigo, aliás, aconteceu justamente o inverso. Ao decidir ter apenas o necessário, fiquei muito mais criteriosa e interessada apenas em investir no que vale a pena. Cada aquisição é planejada e curtida gota a gota. Aprecio bons restaurantes, ingredientes culinários de excelente procedência e, nas poucas vezes em que adquiro roupas novas, escolho as melhores griffes.

Meus filhos já sabem que não precisam me dar presentes. Se nesse Dia das Mães fizerem lembrancinhas artísticas para me homenagear (como já ocorreu), vou adorar. Mas aqui em casa isso não virou tradição, muito menos obrigação. De modo que, se no “meu dia” vierem me agarrar de mãos vazias, a alegria será enorme. E se esquecerem a data e mesmo assim passarmos momentos de grande afeto, aí sim é que eu ficarei totalmente realizada.