82. Como fazer uma horta em casa

triagem jul 11 012Aqui vai um roteiro com 7 etapas para você começar sua produção agrícola doméstica.

Plantar comida no quintal (ou até na varanda do apartamento) tem mil vantagens: reforça o cardápio saudável, ajuda a economizar, diminui a produção de lixo e faz a gente se conectar espiritualmente com a natureza. Minha horta existe há quatro anos e, entre erros e acertos, vai melhorando. Tenho estudado bastante, mas ainda há muito o que aprender. Transformei em dicas práticas algumas das minhas descobertas. Aqui vão elas:

1 – A FASE DO SONHO
Deixe a sementinha da vontade de ter uma horta criar raízes dentro de você. Ou seja, não tenha pressa. Passeie pela varanda ou pelo jardim observando o espaço disponível, a incidência de sol (o ideal é pelo menos 5 horas por dia) e de vento (quanto menos melhor — por isso é bom evitar a face sul). Leia sobre hortas domésticas, procure informações na internet e, se puder, visite quem já possui uma. Comece logo a fazer compostagem ou instale um minhocário: assim você já vai preparando o adubo enquanto planeja sua lavoura.

Ponto de encontro dos Hortelões Urbanos no Facebook (para tirar dúvidas e encontrar colegas):  https://www.facebook.com/groups/170958626306460/

Livros: http://www.viaorganica.com.br/livrosepublicacoes.htm; http://www.livrariatapioca.net/

Onde adquirir minhocário:  http://www.moradadafloresta.org.br/; http://composteira.blogspot.com/; http://cadicominhocas.blogspot.com/ (versão mais econômica); http://www.minhocasa.com/ (esse último em Brasília)

Mais sobre compostagem: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/62-decomposio/; http://conectarcomunicacao.com.br/blog/47-queridas-minhocas/

 

2 – DECIDINDO ONDE PLANTAR
Um dia você finalmente resolve escolher o espaço. Pode ser um canto do jardim ou uma área cimentada (nesse caso, a horta será em vasos). Nessa hora é preciso ter cuidado para não cair na tentação da megalomania, pois grandes áreas são trabalhosas e você terá que encaixar as atividades de agricultor na rotina diária. Para começar, quanto menor, melhor. Um metro quadrado ou quatro vasos está muito bom. Quando pegar o jeito, você vai expandindo aos poucos a roça. Um bom tamanho para os vasos é a partir de 30 cm de diâmetro. Os menorzinhos são úteis para espécies mais esguias, como cebolinha, salsinha e tomilho.

Muito cuidado também com a tentação do consumismo (o que mais se vê por aí é excesso de equipamento e falta de dedicação). Baldes velhos, latas e potes de plástico que iriam para o lixo podem virar vasos (basta fazer orifícios no fundo com uma furadeira), mas os de barro são os menores.  Será que algum conhecido tem no fundo do armário instrumentos de jardinagem que nunca utiliza? Ou vasos que iria jogar no lixo? Peça doações.

3 – PREPARAR A TERRA
Se for plantar no chão, delimite o local e, com uma enxada, vá “quebrando” a terra para retirar raízes, grama, pedrinhas. Se conseguir aprofundar o buraco uns 40 centímetros será ótimo. Preencha com a terra retirada e de preferência peneirada (sem pedrinhas ou raízes) e composto orgânico, esterco e/ou húmus de minhoca que você fez em casa. Pó de osso também é muito bom (fonte de fósforo), assim como cinzas (potássio). Depois de afofar, nunca mais pise na terra. Por isso os canteiros devem ter no máximo 1,20m de largura. 20 cm de altura é uma boa medida. Se só for possível acessá-los por um dos lados, reduza para uma medida que você alcance confortavelmente sem pisar.

Após a adubação, cubra o canteiro com uma camada de mais de 10 cm de espessura de material seco (palha, folhas ou podas de grama). Se não tiver o suficiente em seu próprio jardim, recolha da rua ou fique de olho naqueles sacos pretos que os jardineiros absurdamente largam para o caminhão de lixo levar embora. Se for plantar em vasos, coloque no fundo 2 cm de argila expandida, cacos de telha ou até pedaços de louça quebrada(com a parte convexa para cima). Em vasos grandes essa camada pode chegar a 10 cm. Preste atenção para não vedar totalmente os furos, pois um bom escoamento de água é fundamental. Em cima, areia na mesma proporção ou tecido de algodão (trapos). Complete o vaso com terra adubada, deixando uma faixa superior livre, onde vai a generosa camada de matéria seca. Mantenha a terra úmida, mas não encharcada.

Se for plantar em vasos, coloque no fundo 2 cm de argila expandida ou cacos de telha (com a parte convexa para cima). Em vasos grandes essa camada pode chegar a 10 cm. Preste atenção para não vedar totalmente os furos, pois um bom escoamento de água é fundamental. Em cima, areia na mesma proporção ou manta bidim (um tecido drenante que você encontra em lojas de jardinagem). Complete o vaso com terra adubada, deixando uma faixa superior livre, onde vai a generosa camada de matéria seca. Mantenha a terra úmida, mas não encharcada.

4 – ESCOLHER SEMENTES E MUDAS
Quais espécies plantar? Isso depende do que você gosta de comer, da época do ano, do espaço disponível e da intensidade da insolação. O melhor é usar sementes orgânicas. Se não encontrar, fique com as normais, que são vendidas em saquinhos em lojas de jardinagem. Na embalagem estão informações sobre período e forma de plantio e espaçamento das mudas. Para otimizar espaços, use a sementeira (uma bandeja cheia de casulos pequeninos que funciona como viveiro).

Para iniciar a horta, as ervas são uma ótima opção, pois em pouca quantidade já mudam o sabor dos pratos. E você pode ir retirando folhinhas em matar a planta. Começar por espécies como alface e cenoura é complicado, já que, depois de cuidar da planta por meses a fio, em um segundo você colhe e come. E fica aquele espaço vazio na horta…

Tomate é o sonho da maioria dos hortelões, mas prepare-se, pois se trata de uma planta exigente e que vai melhor ao inverno. Dizem que chuchu e maracujá são trepadeiras mais simples de cuidar.

Na agricultura orgânica, misturar espécies é uma prática incentivada, pois reduz o risco de ataque de pragas e ajuda a manter a fertilidade da terra. Nem todas as espécies, no entanto, convivem bem. Embora eu use o método “deixa rolar para ver o que vai dar”, existem tabelas de compatibilidade. Consultando-as, montei a lista de casais e desafetos abaixo:
Juntar: alface/cenoura; alface/beterraba; cebola/cenoura; cenoura/rabanete; pepino/rabanete; tomate/cenoura; tomate/cebola; espinafre/morango; rúcula/pimenta; couve-flor/beterraba.
Separar: tomate < > rúcula; tomate < > rabanete; alface < > pepino; alface < > morango

Onde encontrar mudas de ervas aromáticas e medicinais em São Paulo:  http://www.sabordefazenda.com.br/

 5 – CUIDAR
Como os filhos e os animais de estimação, a horta pede cuidados diários. Dá trabalho, claro, mas é uma atividade deliciosa. Aos poucos, cada um encontra seu ritmo e essas orientações podem ajudar:

  • Regar demais é tão ruim quanto deixar as plantas secarem. Use o “dedômetro” para aferir a umidade ideal. É assim: você enfia o dedo bem fundo na terra e verifica se está úmida e grudando. Em caso afirmativo, não precisa regar mais. Atenção: folhas murchas significam sede.
  • Melhores horários para regar e manejar as plantas: início da manhã ou final da tarde. Prefira os dias nublados e mais frescos para transplantar.
  • O verão tropical escaldante e sujeito a tempestades é um período complicado para as plantas. Paciência e atenção redobrada nessa época.
  • A terra deve estar sempre fofíssima como um bolo. Se ficar endurecida, veja se está faltando água ou se a camada de matéria seca necessita de reforço.
  • Algumas plantas são perenes ou vivem durante várias safras, como é o caso das ervas, da berinjela e do pimentão. Outras têm apenas uma colheita, como o tomate e a alface. Misture esses dois tipos para sempre ter uma horta viva.
  • Enquanto uma safra de folhosas cresce, vá preparando a próxima na sementeira.
  • Quanto mais biodiversidade, melhor. Troque mudas com amigos hortelões, arranje sementes diferentes e vá trazendo novas espécies.
  • Na agroecologia não se fala em ervas daninhas e sim em espécies espontâneas. São os matinhos que crescem sem ser semeados. Não precisa exterminar. Se não estiverem alastrando demais ou atrapalhando o desenvolvimento da planta comestível, deixe lá.
  • O chorume do minhocário diluído em água é um excelente adubo para borrifar nas folhas.
  • A cada mês ou quando sentir que a planta está precisando, adube a terra. Mas sem exagero.
  • Contemple todas as etapas da vida: nascimento, crescimento, frutificação, morte e decomposição. Cada uma tem seu encanto.

 

6 – ACEITAR OS ERROS
Inevitavelmente eles vão acontecer. Por falta de experiência, distração, problemas climáticos ou outras razões. Faz parte do processo. Ter uma horta é uma excelente oportunidade de treinar a resiliência, a humildade, a aceitação de que somos falíveis e nem tudo acontece de acordo com a nossa vontade.

 

7 – CURAR
O solo fértil e povoado de milhares de tipos de microorganismos é a base de um ecossistema agrícola perfeitamente equilibrado, em que doenças e pragas não proliferam. Mas na vida real situações ideais são raras, então a probabilidade de enfrentar problemas em algum momento é quase 100%. Mesmo sem saber diferenciar uma cochonilha de um pulgão, tenho me virado para lidar com os ataques por aqui.

Duas atitudes preventivas importantes: plantar cada espécie em sua época adequada e fazer rotação de culturas, mudando não só a espécie como o tipo de planta. Onde estava uma folhosa entra uma raiz, onde estava uma erva entra alguém que dá frutos, como o pepineiro ou tomateiro. Bom mesmo é fazer uma tal adubação verde antes da próxima safra. Ainda não tentei, mas chego lá. Vale a pena também cultivar flores ao lado de espécies comestíveis, pois elas atraem joaninhas e outros bichinhos do bem que controlam a população dos monstrinhos. Nos livros de agricultura ecológica recomenda-se muito as caldas bordalesa, viçosa e sulfocálcica. As receitas estão na internet, mas achei meio complicadas e por isso ainda não tentei.

Quando encontro a infestação, arregaço as mangas e vou esfregando as folhas com os dedos, para arrastar os bichos. A orientação é jogar depois um jato d’água e, em seguida,os preparados antiinfestação. Nas lojas de jardinagem existe o famoso óleo de nim (ou neen), que eu não uso por seu poder inseticida. Opções caseiras são limonada (sem açúcar, claro), calda de fumo, pimenta ou alho batido com água no liquidificador. Alguma dessas coisas misturada com sabão de coco. Já ouvi dizer que fazer um suco do próprio bicho no liquidificador e borrifar funciona muito bem, já que essa turma pode ser meio bandoleira, mas não é canibal. Achei punk demais e ainda não tive coragem de experimentar algo assim. Mas, se bater o desespero, essa pode ser a salvação da lavoura. Na verdade, quase nunca chego a “tratar” as plantas da minha horta. Vou observando. E percebi que, com o tempo, as infestações diminuem. É importante o solo estar fértil, plantar tudo misturado e deixar virem os mais variados bichinhos que aí as populações se autorregulam.

 

81. Pedalar mais, acelerar menos

bicicleta-cidade[1]Paulistanos se encontram com David Byrne (ex-astro do rock internacional) sonhando em tornar a cidade mais acolhedora para pessoas e bicicletas, deixando de lado a ditadura do carro. E o Brooklin ganha a  primeira ciclorrota de São Paulo.

Eu já gostava das músicas do David Byrne (líder da banda Talking Heads, que fez muito sucesso nos anos 80). Mas virei fã mesmo quando li o ótimo “Diários de Bicicleta” e descobri que ele se reinventou como cicloativista e escritor. Pois não é que o ex-roqueiro idealizou o fórum “Cidades, bicicletas e o futuro da mobilidade”? A estréia aconteceu em 12/7 em São Paulo e vem aí a turnê pela América Latina (Buenos Aires, Santiago, Quito, Lima, Bogotá, Cidade do México e Guadalajara).

Seus companheiros na versão paulistana do evento foram o veterano cicloativista Arturo Alcorta (www.escoladebicicleta.com.br), o Secretário de Transportes do Município de São Paulo, Marcelo Branco, e o sociólogo Eduardo Vasconcellos, conselheiro da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos). Até agora as palavras deles ricocheteiam na minha cabeça e aqui vai um resumo didático das apresentações:

David Byrne mostrou com imagens como o carro exterminou progressivamente o convívio humano nas ruas em boa parte das grandes cidades do mundo. Nada ocorreu por acaso, ele demonstrou, uma vez que no início do século XX urbanistas começaram a planejar “cidades do futuro” com subúrbios isolados, avenidas larguíssimas, complexos de viadutos monstruosos e torres de apartamentos gigantescas. O ápice desse modelo é Los Angeles, onde 70% do espaço urbano pertence aos carros, não existem pedestres e lançaram até um nostálgico shopping na forma de rua artificial. Depois desse show de horror, Byrne comentou o modelo europeu de cidades menos motorizadas e o renascimento do transporte a pé e por bicicletas em NY.

Arturo Alcorta chamou a atenção para a ligeira vaia que o Secretário de Transportes levou ao entrar. “Não sejamos bipolares: se motoristas e ciclistas virarem inimigos e não houver debate democrático, estamos perdidos!”. Ele explicou por que aposta no modelo da convivência entre carros e bicicletas e na mobilização dos cidadãos para a defesa do uso do espaço público pelas pessoas.

Marcelo Branco, chefe da CET e do SPTRans, sabia que estava em território inimigo e pretendia propagandear a ciclofaixa de lazer (o circuito de bicicletas dos domingos) e a ciclorrota do Brooklin (percurso de 15km inaugurado em 20/7/2011 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/946080-brooklin-na-zona-sul-estreia-hoje-a-1-ciclorrota-de-sao-paulo.shtml). Percebeu o teor do debate e decidiu fazer um discurso franco e de improviso explicando que o CET foi criado para privilegiar automóveis e que não é fácil mudar mentalidades de um dia para o outro. Disse ainda que a velocidade máxima dos carros em diversos pontos da cidade será reduzida, visando proteger ciclistas e pedestres. Terminou aplaudido e, na manhã seguinte, eu fiquei com vergonha de ser jornalista, pois a cobertura da Folha, além de rarefeita, tentou fazer intriga dizendo que ele teria falado mal do CET.

Eduardo Vasconcellos, uma surpresa, foi o grande destaque da noite. Apresentou uma visão histórica do desenvolvimento das cidades e do sistema de transporte do país a partir dos anos 30. De acordo com ele, desprezar as opções coletivas e incentivar a população a se motorizar foi um bem-sucedido projeto político de nossos antigos a atuais governantes. (Concordo com ele e acrescento que esse modelo agora tem o apoio da maior parte da população e o político que realmente quiser virar o jogo se arrisca a perder votos. Fabio Feldman que o diga). Ele conclamou a galera a se munir de informações para evidenciar o constrangimento ético de quem defende a prioridade para esse meio de transporte individualista, poluidor e detonador de espaços públicos. O auditório, lotado, agradeceu a aula aplaudindo loucamente.

Como dica prática, a que mais me marcou foi dirigir devagar. Não é fácil, pois vivo atrasada, mas realmente me propus essa meta. Trata-se da melhor atitude imediata que podemos adotar se quisermos deixar a cidade mais acolhedora para as pessoas. Essencial também é não bitolar no carro. Vale a pena sair do piloto automático e, a cada deslocamento, ver as alternativas. Ir de metrô, ônibus, pé2 ou bike é mais confortável e divertido em grande parte dos trajetos. 

Trilha sonora do post: Psychokiller http://www.youtube.com/watch?v=l5zFsy9VIdM

Mais sobre carros em:
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/42-cigarro-sculo-xxi/
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/43-meu-dia-quase-sem-carro/
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/44-uma-paixo-cafageste/

80. Precisamos de uma Marcha do Orgulho Eco?

Quem se engaja nas causas ambientais está sob constante ameaça de ser chamado de chato ou xiita, além de virar alvo das piadinhas. Vale a pena conferir o que Cacique Seattle (em 1854) e David Suzuki (em 2011) dizem sobre o que é ser ecológico.

Descobri David Suzuki outro dia, quando um amigo postou no Facebook um link para o texto “The Nature of Environmentalism”. Cientista canadense de ascendência japonesa, já recebeu diversos prêmios internacionais, publicou 52 livros, é uma celebridade verde em seu país e estrela de primeira grandeza no circuito universitário, além de dirigir a fundação que tem seu nome.

Descobri Cacique Seattle quando era adolescente. Na parede da lendária sorveteria Rocha (no centrinho da então pequena e pacata São Sebastião, litoral norte de SP) estava uma folha de jornal amarelada com sua famosa carta de 1854 em resposta à oferta do presidente norte-americano Franklin Pierce para compra das terras de seu povo, o Duwamish, localizadas onde hoje é o Estado de Washington, fronteira com o Canadá no extremo oeste.

Suzuki está no topo da carreira acadêmica. Seattle foi um índio que vivia da caça e da coleta. Suzuki escreve em um computador e seus textos imediatamente circulam pelo mundo através da internet. Seattle apenas discursava para seu clã e sua famosa carta foi compilada por testemunhas. Embora cerca de 30 anos tenham se passado, tive a mesma sensação iluminadora ao ler os dois textos, que reproduzo em parte abaixo. 

Cacique Seattle, 1854:
“Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia – são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem – todos pertencem à mesma família. Os rios são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro.

A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.”                                                     
Veja o texto completo e sua história: http://www.ufpa.br/permacultura/carta_cacique.htm

David Suzuki, 2011:
 “Ambientalismo não é uma profissão ou uma ciência; é um jeito de ver seu lugar no mundo. É reconhecer que vivemos num planeta onde tudo, incluindo nós mesmos, está interconectado e é interdepentende de todo o resto.

A água se move do oceano para o ar e para a terra, ao redor do mundo, ligando todas as formas de vida por meio do ciclo hidrológico. Ao inspirar, absorvemos oxigênio proveniente de todas as plantas da terra e do mar, e também tudo o que é expelido de todas chaminés das fábricas e dos veículos. A teia de todas as coisas vivas faz parte dos processos que reabastecem e restauram o ar, a água, o solo e a energia. Nessa maneira de ver o mundo, não somos apenas receptores dos presentes mais vitais da natureza – somos participantes de seus ciclos.

 Tendemos a pensar nos ambientalistas como pessoas preocupadas com a natureza ou uma espécie em extinção ou um ecossistema ameaçado. Ambientalistas são acusados de se preocupar mais com as corujas malhadas ou árvores do que com as pessoas e os empregos. Isso é um absurdo. Vendo um mundo interconectado, nós entendemos que as pessoas estão no coração da crise ecológica global, e que a genuína sustentabilidade significa também lidar com questões de fome e pobreza, desigualdade e injustiça, terrorismo, genocídio, e guerra, porque enquanto essas questões confrontarem a humanidade, a sustentabilidade não será prioritária. 

No nosso mundo interconectado, todos esses temas são parte do caminho insustentável que trilhamos. Se quisermos encontrar soluções, precisamos ver o cenário como um todo.”
Veja o texto completo, em inglês: http://www.themarknews.com/articles/5742-the-nature-of-environmentalism