99. Permacultura: o que é isso?

A permacultura propõe viver sem esgotar os recursos naturais. E tudo começa na sua casa, colocando a mão na massa.

Nossa civilização devora a natureza numa velocidade superior ao seu ritmo de reposição, produz lixo, contamina o ar, a água e o solo. Óbvio que será impossível continuar assim por muito tempo. A permacultura visa o oposto: criar uma sociedade capaz de se manter infinitamente sem esgotar os recursos necessários à sobrevivência humana.

Parece utópico? Sem dúvida, mas é minha utopia preferida.

Mistura de ciências, tecnologias e filosofias de vida, a permacultura é recente. O termo foi inventado pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren em1974 apartir da contração de “permanent” e “agriculture”. Tratava-se, a princípio, de uma série de práticas ecológicas de plantio. Logo o conceito passou a englobar bioconstrução, produção local de energia, manejo de água e aspectos comportamentais, tornando-se “cultura da permanência”.

No mundo todo, a comunidade de permacultores está crescendo. Já somos milhares de seres humanos por aí em diferentes estágios do processo individualizado e/ou comunitário de descobrir como viver seguindo esses quatro princípios:

1 – Cuidado com o planeta

2 – Cuidado com as pessoas

3 – Partilha dos excedentes (inclusive conhecimentos)

4 – Limite ao consumo

No dia-a-dia, temos a troca de experiências com os colegas, cursos, leituras e alguns parâmetros a nos guiar. Reaproveitamento máximo de materiais, evitando produzir lixo, é um deles. Lidar criativamente com as condições oferecidas, transformando problemas em soluções, é outro. Também tentamos imitar a natureza, fechar ciclos produtivos, diversificar e tornar locais as fontes de recursos, cooperar em vez de competir e integrar em vez de fragmentar.

Se essa história de permacultura está parecendo muito teórica, coloque logo a mão na massa que fica fácil entender. Você pode plantar uma pequena horta, transformar sucatas em utensílios, fazer reforminhas em casa, captar água da chuva, cozinhar, lavar ou costurar. O que importa é consumir menos e criar mais, da maneira que for melhor para você. Como diz o permacultor Claudio Spinola, da Morada da Floresta: “Se não é divertido, não é sustentável”.

Indicações:

– A página wiki do Curso de Introdução à Permacultura Urbana da Subprefeitura de Pinheiros (lá tem muuuito material de referência) http://pt.wikiversity.org/wiki/Introdu%C3%A7%C3%A3o_%C3%A0_Permacultura_Urbana

– O documentário “Utopia no Quintal” sobre permacultura urbana (e paulistana). Realizado por Daniela Catelli, Natalia Belucci, Fernando Moura e Billy Jow, tem 25 minutos. A entrevistada fotofóbica que franze a testa sou eu. Aí vai o link: http://vimeo.com/33174098.

– Pesquisar, além da palavra permacultura, ecovilas, PDC (sigla em inglês para Curso de Design em Permacultura) e SAF (Sistemas Agroflorestais).

98. Diga adeus aos agrotóxicos

Redes alternativas de distribuição de orgânicos trazem em casa alimentos saudáveis, saborosos e com menos embalagens descartáveis. Tão importante quanto as vantagens para o consumidor é o fato de remunerarem melhor e preservarem a saúde dos agricultores.

Minha ligação com o Movimento Orgânico começou em 1999. Eu estava em um grande supermercado fazendo compras quando, pela primeira vez, encontrei vegetais com a palavra “orgânico” no rótulo. Consegui achar, em letras minúsculas, o telefone do produtor. Liguei e, lá em Itobi (pequena cidade do interior de São Paulo da qual nunca tinha ouvido falar), atendeu o holandês Joop (pronuncia-se Iôp), um dos pioneiros da agricultura sem agrotóxicos no Brasil, que estranhou minha empolgação e, para dizer a verdade, achou que eu era maluca. Mesmo assim, consegui descobrir que o Sítio A Boa Terra (www.aboaterra.com.br) estava começando um sistema de assinatura semanal de cestas orgânicas. Achei essa uma ótima pauta e escrevi a respeito na revista onde trabalhava. A reportagem teve alguma repercussão e, meses depois, eu e o Mauro, meu marido, recebemos um convite para visitá-los.

Assim, além de clientes, ficamos amigos dos Stontenborgs. Já vai fazer 13 anos que somos assinantes da cesta do Sítio e mantemos contato com alguma freqüência. Semanalmente, fico por dentro das novidades por meio do ótimo informativo que chega junto com os produtos. Quando tinham sete anos, Alex e Julieta, nossos gêmeos, viajaram conosco para conhecer o lugar onde nasce boa parte da comida de casa.

Depois conheci a Marina Pasconn, dona da Caminhos da Roça (www.caminhosdaroca.com.br ), o Fernando Oliveira, do Alimento Sustentável (www.alimentosustentavel.com.br), o Silvio Vieira, do Sabor Natural (www.sabornatural.com.br), o Omar, o Guilhermo e o Mauro, do Sementes de Paz (www.sementesdepaz.com.br). Todas essas empresas se especializaram em entregar comida orgânica fresquinha em domicílio. Além de frutas, verduras e legumes, distribuem também arroz, feijão, farinha, ovo, pão, biscoito, açúcar, laticínios, sucos, molhos e mais um monte de itens. Dou preferência ao delivery natureba (em vez de comprar no supermercado) por causa do frescor, da redução de embalagens descartáveis e da melhor remuneração ao agricultor.

Sim, os orgânicos são mais caros. Não, esses empreendedores não estão “explorando” ninguém. Pelo contrário, pagam mais aos agricultores, vivem tentando fazer ofertas e baixar preços. Nenhum deles está perto de ficar rico, ao contrário dos bam-bam-bãns do agronegócio, das grandes redes de varejo e da indústria de alimentos.

Infelizmente, por um bom tempo ainda comida sem veneno vai custar mais. As razões são inúmeras e vou mencionar só duas: 1) o governo apoia o plantio com agrotóxicos por meio de isenção fiscal e facilidades na obtenção de crédito agrícola; 2) os produtores orgânicos arcam com custos extras de certificação, têm dificuldade de colocar os produtos no mercado, precisam cumprir muitas normas de proteção ambiental e obedecer rigorosamente as leis trabalhistas (o que muitas vezes não ocorre na agricultura convencional). Hoje em dia, encaro as despesas com alimentos orgânicos como investimento na saúde da minha família, na saúde do trabalhador rural, na saúde dos ecossistemas e em justiça social (veja mais em http://conectarcomunicacao.com.br/blog/68-10-razes-para-optar-por-orgnicos/ ).

Convido as pessoas que podem gastar um pouco mais com alimentos a preencher pelo menos uma parte da despensa com orgânicos em vez de torrar dinheiro em compras supérfluas. E fico feliz que a Rede Globo, o mais poderoso veículo de comunicação do Brasil, tenha colocado em pauta a gravíssima questão dos agrotóxicos. Nos últimos dias, muitas pessoas têm pedido indicações de orgânicos e recomendo todas as empresas citadas acima (em ordem alfabética: Alimento Sustentável, Caminhos da Roça, Sabor Natural, Sementes de Paz e Sítio A Boa Terra). Vale a pena entrar nos sites, conhecer as propostas, conversar com eles. Você corre o risco de se apaixonar, assim como eu, pelo jeito limpo, justo e saudável como trabalham. Mas pode ser que leve um tempo até se acostumar com essa nova forma de comprar comida. Enquanto a chegada da cesta não se torna um hábito, peço que persista. Vá reaprendendo a curtir a época de cada fruto da terra e a compreender os ciclos e incidentes naturais que às vezes complicam a colheita.

Sobre os agrotóxicos, a situação é ainda mais grave do que a televisão tem mostrado. Recomendo o documentário “O Veneno está na Mesa”, de Silvio Tendler (totalmente disponível no Youtube). E em breve mando mais notícias sobre o assunto, pois estou mergulhada no relatório da CPI da Segurança Alimentar do Estado de São Paulo e em outras leituras heavy metal.

97. Alquimistas do lixo

Pingente Fênix de lata de alumínio e casca de coco (Arthur Lewis)

No domingo (11/12) vai acontecer, na Vila Madalena, o último Mercado do Beco do ano. Nesse bazar maravilhoso a principal matéria prima é lixo.

Quanto menos compras de Natal, melhor. Se é inevitável dar algum presente, vale a pena ir atrás das obras feitas com sucata pelos artesãos do Mercado do Beco. Fernanda Vaz, a curadora, garimpa há vários anos artesãos que trabalham com o reaproveitamento de sucata. Para ela, não basta o ecologicamente correto e o socialmente justo, as peças precisam ser lindas. E são!

 

Essa flor é uma garrafa pet que não vai para o lixão (Claudia Gianini)

Na edição anterior, que rolou em outubro, convidei minha filha Julieta para conhecer o Mercado do Beco. Ela, que nem sempre se anima com as maluquices verdes da mãe, topou meio arrastada. Chegando lá, ficou eufórica com tanta beleza e está contando os dias até domingo. Além de encontrar bijuterias, móveis, roupas e outros objetos, o evento terá uma programação de espetáculos e oficinas artísticas. Veja abaixo e em http://www.mercadodobeco.blogspot.com/.

 

Horário: das 13h às 21h.
Local: Centro cultural Rio Verde (Rua Belmiro Braga, 119). Fica naquele trechinho perto do Beco do Batman, da Pérola Negra e quase em frente ao Café Aprendiz. Melhor não estacionar na baixada porque quando dá tempestade aquela rua vira um rio. Ou melhor, o Rio Verde, que foi escondido pelo asfalto, reaparece. São Paulo é uma Veneza disfarçada, cidade construída entre rios e riachos posteriormente entubados. Já que entrei em outro assunto, aproveito para indicar as expedições e relatos do grupo Rios e Ruas & Árvores Vivas (no Facebook), que está redescobrindo a bacia hidrográfica paulistana.