120. Não jogamos nada fora. Não existe fora.

Sou inconformada com a existência do lixo. Acho absurdo que quase todas as coisas que nos circundam sejam encaminhadas mais cedo ou mais tarde para uma grande e escondida montanha (ou vala) de materiais sujos e misturados.

O tema resíduos, além de irritar e angustiar, aciona meus sensores cerebrais em busca de soluções. Cuidar do lixo se tornou um dos meus hobbies favoritos. Dedico muitas horas a esse tema, seja compostando as sobras orgânicas, fazendo curadoria dos mais ínfimos objetos para torná-los atrativos e úteis, participando de feira de trocas ou simplesmente deixando de comprar.

Não bebo água mineral (levo minha garrafinha com água do filtro para todos os lugares). Abandonei quase completamente os cosméticos e os produtos de limpeza industrializados por não suportar aquelas embalagens que se multiplicam infinitamente. Com um pedaço de sabão de coco e uma folha de babosa (aloe vera) que planto no quintal resolvo a questão sabonete, xampu, condicionador, hidratante. Com o limpa-tudo que aprendi a fazer (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/115-limpeza-geral/) e o Auxi (versão concentrada do Biowash, limpador orgânico ­ http://biowash.com.br/linhas/linha-auxi-39) equaciono a limpeza anual com apenas 3 embalagens de plástico mais alguns sacos de sabão de coco em pó, fracos de álcool e de vinagre. Troquei o filtro solar por chapéu e camiseta. Penso mil vezes e tento arranjar doação antes de adquirir eletrônicos. Virei cliente e fã da empresa Alimento Sustentável (http://www.alimentosustentavel.com.br/) , que recebe vidros com tampas usados de quem quiser oferecer para embalar a comida orgânica deliciosa que vende. De tempos em tempos, devolvo para a contadora os clipes de papel que recebo de seu escritório. Recolho da rua folhas secas (para a horta) e objetos que os vizinhos jogam fora e têm potencial para virar recipientes de plantas. Aliás, trapos são ótimos para substituir as mantas de drenagem nos vasos.

Mesmo assim, os resíduos continuam a me assombrar. O escritório de casa virou um depósito permanente de garrafas de vidro vazias, plásticos em geral, papéis (usados dos dois lados) e embalagens de papelão.  Limpo, separo a sucata e vou juntando até o dia de levar no muque para a Coopamare (Cooperativa de Catadores – http://www.catasampa.org/cooperativas.php?id_coo=15) e recomeçar o armazenamento. Não pense que saio da cooperativa com a consciência tranqüila e me sentindo quites com o meio ambiente. Ao contrário, perceber que não consegui reutilização para tanto material me deixa frustrada. E, apesar do trabalho heroico dos catadores, as grandes quantidades de resíduos no pátio da cooperativa são a imagem de um sistema prestes a enfartar por não conseguir gerir tanto produto feito para o descarte.

No meu dicionário, reciclagem não é sinônimo de ecologia. É apenas redução de danos. Ninguém me convence que transportar, derreter e refazer uma garrafa de cerveja causa menos impacto do que simplesmente lavar, reenvasar e recolocar no mercado.  Era assim que se fazia antigamente e as garrafas podiam durar várias décadas vivendo de bar em bar. Quanto ao papel, se usássemos tinta de origem vegetal e abandonássemos vernizes e outros químicos poluentes, bastava jogar na terra para virar adubo. Para fechar a turma da coleta seletiva, no meu mundo ideal plástico e alumínio jamais chegariam perto de alimentos e teriam usos muito restritos.

Nesse atual momento histórico brasileiro, vem de cima (governo federal) a obrigação de implantar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm). Para as prefeituras a lei está chegando espinhosa e difícil de cumprir. Já as empresas não se mostram dispostas a rever radicalmente o uso de embalagens descartáveis e iniciar uma transição para o lixo zero, conceito tão aclamado quanto ignorado na prática. E a grande maioria dos cidadãos ignora/finge ignorar o tema ou joga a culpa “neles”, os políticos. Só que nesse caso a culpa é muito mais dos empresários.

Para aprofundar o tema lixo – ou gestão de resíduos sólidos, se preferir — existem toneladas de livros, gigabilhões de bites na internet e centenas de congressos pipocando pelo planeta. Acho importante pesquisar e estudar o assunto. Mas eu estou bem cansada de tanta falação e pouca atitude. Quem quiser montar um Movimento Antilixo, com ações práticas, pode me convidar que estou dentro.

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