148. Meus produtos de limpeza

Na lista de compras, apenas sabão de coco (em pó e em barra), bicarbonato, álcool e açúcar mascavo. Desinfetante e detergente eu faço em casa. 

Sabe aquelas gôndolas do supermercado onde ficam centenas de produtos de limpeza? Não frequento mais. Quer dizer, entro naquele corredor de vez em quando só para pegar álcool líquido e fujo logo porque o cheiro me faz mal e as embalagens descartáveis prometendo maravilhas dão vontade de chorar.

Reduzir o consumo de plástico é uma das razões pelas quais eu recuso os produtos de limpeza industrializados. Então vou fazendo meus produtos e reutilizando mil vezes as mesmas garrafas pet. A outra é a sopa química de ingredientes que polui nossas águas e cujos efeitos na nossa saúde são pouco conhecidos. Não conseguiria voltar para os limpadores “normais” nem que quisesse. Desacostumei (ou será desintoxiquei?) e tenho dor de cabeça instantânea na presença deles. Até mesmo quando a vizinha lava o quintal fecho as janelas para tentar me proteger do cheiro do sabão em pó.

Então como eu me viro?
LAVAR ROUPAS – Sabão de coco líquido que produzo em casa. Basta derreter uma barra de 100g em 3 litros de água fervente, acrescentar duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio e, depois que esfriar, meio copo de álcool.  Lavo em bacia e assim toda a água dá para reutilizar na rega das plantas. Antes da lavagem, deixo de molho em uma bacina com 20 litros de água e 1 litro de enzxima cítrica. Que história é essa de enzima cítrica? Explico abaixo, com fotos. Detalhes sobre meu método ecológico de lavagem de roupas aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/141-lavar-roupa-na-bacia-divertido/

LAVAR LOUÇA – Sabão de coco em barra e bucha vegetal. Com enzima do lixo também dá para lavar, já tentei e ainda estou me habituando. Neide Rigo fala sobre isso no blog dela: http://come-se.blogspot.com.br/2015/12/desengordurante-ecologico-feito.html

FAXINA GERAL – Vassoura de palha, aspirador de pó, pano úmido com desinfetante caseiro de citronela (receita abaixo) ou pano úmido com enzima do lixo bem diluída (uma colher por litro). Manchas e sujeira mais grossa: sabão de coco e/ou enzima do lixo sem diluir.

LIMPAR O BANHEIRO – Água da cisterna, enzima cítrica e um pouco de sabão de coco líquido feito em casa. Mais nada.

Onde comprar?
Sabão de coco – Uso a marca Milão e compro na loja online de um colega permacultor. O pedido mínimo é de R$ 300 então vale a pena juntar a família, os vizinhos e fazer compra coletiva. Contato: lojamixeco@gmail.com / http://www.mix.eco.br/.

Bicarbonato – O supermercado vende só saquinhos com 30 gramas (não dá para nada). Compro por quilo em lojas online como essa: http://www.imperiodobanho.com.br/bicarbonato-sodio-1kg-p180  ou em lojas que vendem produtos naturais a granel.

Como fazer?
DESINFETANTE
1. Pegue um montão de folhas de citronela (eu tenho no quintal e é facílimo plantar e cuidar), pique e coloque dentro de um litro de álcool. Quanto mais, melhor. Você pode tirar um pouco do álcool para caber no recipiente.
2. Espere alguns dias para o álcool ficar verde-citronelado.
3. Coloque 2 copos desse álcool numa garrafa PET de 2 litros, acrescente umas 4 colheres de bicarbonato, preencha com ÁGUA (na primeira versão desse post escrevi “álcool” aqui, mas o correto é água). Pronto!
Além da limpeza da casa, serve para lavar as mãos e o corpo em caso de emergência, vide Manual de Sobrevivência para a Crise da Água, páginas 17 e 20. http://aguasp.com.br/app/uploads/2015/04/manual%20de%20sobrevivencia%20para%20a%20crise.pdf

ENZIMA CÍTRICA
Descobri a existência disso por meio do Luiz Felipe Pacheco num curso de permacultura. É um fermentado de 3 partes de cascas de cítricos, 1/2 parte de açúcar mascavo e 10 partes de água. Demora três meses para ficar pronto e tem mil utilidades. O produto final é um líquido amarelo, cheiroso, poderoso e imperecível que serve para limpeza, fertilizante líquido (1 colher por litro) e até para tratar esgoto e desentupir canos. Foi inventado na Malásia pela doutora Rosukon Poompanvong. Tem muita informação sobre isso na internet. Se você entende inglês, pesquise “garbage enzyme”.

Mais informações sobre a enzima cítrica:
https://www.youtube.com/watch?v=Lv0FgPi96Zw
http://www.thediysecrets.com/2009/11/what-is-garbage-enzyme/

Para saber mais sobre permacultura:
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/99-um-2012-permacultural-para-voc/

Passo a passo da enzima cítrica
1 – Congele as cascas de limão e laranja. Quando tiver uma boa quantidade, coloque numa garrafa pet lembrando que são 3 partes desse ingrediente.

 

 

 

 

2 – Agora acrecente uma parte de açúcar mascavo.

 

 

 

 

3 – Coloque 10 partes de água e lembre de deixar um espaço vazio na garrafa para conter os gases da fermentação. Escreva a data. Abra e mexa todos os dias por um mês.

 

 

 

 

4- Depois de 3 meses ou mais a aparência é como a dos potes que mostram o líquido amarelo. Coe! Essa crosta preta é da minha primeira tentativa de fazer a enzima, há vários anos, e acabei guardando para “observações científicas” – rs.

 

 

 

 

5- Eu uso uma peneira e essa primeira filtragem vai para o balde.

 

 

 

 

6- As cascas deixo secar bem no sol para depois fazer fogueira em casa (é bem cheiroso) e usar as cinzas como adubo. Mas também jogo direto na composteira de foilhas do quintal. É só cobrir bem para não juntar mosca.

 

 

 

 

7- Aí passo na peneira mais fina e coloco no galão.

 

 

 

 

 

8 – Do galão vai para a garrafa. Espero decantar uns dias e está pronto para usar!

 

 

 

 

 

 

125. Vida louca, vida linda

Parece que toda a diversidade humana resolveu visitar a solitária jardineira que cuidava de uma horta na Avenida Paulista em plena terça-feira à tarde.  

Por causa do post anterior, teve gente perguntando se eu ia fechar o blog ou estava com algum problema sério. Nada disso. É que as manifestações de junho trouxeram tanta cacofonia de opiniões que resolvi ficar quieta um pouco.

Para falar a verdade, ultimamente tenho me dedicado mais à agricultura do que à escrita. Descobri que, empunhando a enxada, a gente aprecia o mundo de outra forma, assim como provoca reações diferentes. Sobretudo se a roça em questão fica no canteiro central da Avenida Paulista entre a Consolação e a Bela Cintra: a Praça do Ciclista. Ali, ponto dos mais muvucados na megalópole insana, existe uma horta comunitária desde 12 de outubro de 2012. Trata-se do frágil jardim comestível que, no entanto, já sobreviveu ao Réveillon, à Parada Gay, à guerra entre manifestantes e polícia nos momentos mais tensos dos protestos de junho e a muitos outros encontros de multidões reivindicadoras e anárquicas. Além de cotidianamente servir de abrigo noturno para moradores de rua. Pois bem, a horta nunca foi pisoteada. E a praça ficou muito mais limpa depois que ela chegou.

Um pequeno grupo de voluntários, do qual faço parte, se reveza na manutenção diária. E no primeiro domingo do mês a partir do meio dia acontecem os mutirões, onde nos encontramos para dar um trato mais caprichado na microlavoura e confraternizar.

Hoje, 16 de julho de 2013, uma terça feira qualquer e quase milagrosamente calma, foi a minha vez de cuidar da Horta do Ciclista (http://pt.wikiversity.org/wiki/Horta_do_Ciclista).  Ver a cara das pessoas quando a gente atravessa a Paulista carregando esterco e enxada já vale o programa. Mas o melhor veio depois. Na chegada conversei com uma mineira sorridente que nunca tinha ouvido falar em horta comunitária e ficou maravilhada porque qualquer um pode colher. E pode mesmo! Os manjericões, por exemplo, estão lindos e precisando de uma poda radical. Isso significa que a matéria prima para um belo pesto está ali esperando o cozinheiro aparecer. Vc se habilita?

Enquanto adubava os canteiros, skatistas arrepiavam no cimento. Aí passou um ciclista com máscara antipoluição perguntando se pode plantar cannabis (expliquei que não, pois pode dar rolo e inviabilizar todo o projeto). Mãe e filha sentaram na mureta em clima de contemplação e a três metros dali se acomodou um casal meio punk aos amassos. Quando eles foram embora apareceram duas meninas para fumar cannabis e ofereceram. Agradeci a gentileza, mas declinei alegando estar no serviço. Depois veio um cara oferecendo muda de ora-pro-nobis (recusei porque a planta fica muito grande e é espinhuda demais para uma horta tão pequena). Então ele respondeu que volta lá alguma hora para plantar um lance parecido com malva que não guardei o nome. Uma velhinha investigou várias plantas com cara de conhecedora de horticultura, mas se mandou sem conversa.

Fui até o estacionamento em frente preparar a rega. Essa horta, aliás, só existe graças à boa vontade dos manobristas, que armazenam nosso equipamento em seu minúsculo banheiro (dois baldes, um regador e uma enxada) e ainda liberam a água. Ao destrancar a torneira, a caixa do estacionamento explicou que os noias vão lá toda hora pedir para tomar banho de esguicho. Enquanto isso, a delegação de jovens de Milão que vieram ao Brasil encontrar o Papa Francisco passou cantando e com bandeiras imensas da Itália. Ao mesmo tempo, uma manifestação de um monte de gente vestida de branco (depois descobri que eram médicos querendo garantir a reserva de mercado) fechava a Rua da Consolação.

Luciano Santos, advogado que tem escritório em frente e é um dos principais guardiões da horta, adentrou portando terno e gravata para a gente trocar uma ideia sobre como lidar com as lagartas do maracujá. Sim, em breve teremos borboletas nativas! Atravessei a rua umas 10 vezes carregando água, reguei tudo e missão cumprida. De carro na Paulista vi pelo retrovisor um grupinho PMs circundando uma motociclista acidentada cinco metros atrás. Ela levantou e sacudiu a poeira (ufa, nada grave).

Só mesmo a necessidade de carregar sacos e sacos de adubo me convence a ir dirigindo para a avenida mais famosa da cidade.  E enquanto aguentava o trânsito na volta, só conseguia pensar na loucura e maravilha que é o mundo. Não fiz foto porque sou uma das únicas pessoas desse universo que não anda por aí com máquina e não consegue tirar foto com o celular. A que ilustra o post é dessa horta mágica, alguns meses atrás.

122. A Revolução da Comida chegou!

Food Revolution Day, o “feriado” que o cozinheiro inglês Jamie Oliver inventou, é nessa sexta-feira, 17 de maio. Veja como e por que é importante participar do movimento.  

Pai de quatro e prestes a completar 38 anos, Jamie continua com jeito e energia de garoto. Mas é bom levar a sério o que diz: “Nossas crianças estão crescendo obesas e desnutridas por causa do consumo de alimentos processados e esta será a primeira geração em muito tempo a viver menos do que os próprios pais. É hora de mudar. Precisamos de uma revolução alimentar”.

Pois a tal revolução ganhou o nome de Food Revolution Day, um dia de mobilização mundial em prol dos alimentos saudáveis e do ato singelo de cozinhar (de acordo com ele, uma das coisas mais importantes a aprender na vida). O primeiro FRD aconteceu em 19 de maio do ano passado, um sábado, reunindo mais de mil eventos em 664 cidades espalhadas por 62 países do mundo. A Revolução da Comida 2013 foi marcada para 17 de maio, sexta-feira, mas as atividades organizadas espontaneamente aqui no Brasil acabaram extrapolando a data e agora teremos todo um final de semana dedicado ao tema.

Jamie Oliver é disléxico e teve muitos problemas de aprendizagem. Cresceu na pequena Clavering, ajudando os pais no pub da família. Com 16 anos foi estudar culinária. Em 1997 era aprendiz na cozinha do badalado River Café, em Londres, quando apareceu por lá uma equipe de filmagem. Jamie fez tanto sucesso no documentário que rapidamente ganhou um programa próprio e virou celebridade televisiva. Decidiu usar sua fama em prol de uma boa causa: melhorar a alimentação sobretudo das crianças. Horrorizado com o universo do  junk food , ele foi à luta contra a propaganda intensiva, os brindes irresistíveis, a aparência artificialmente ultracolorida, as embalagens pop, as texturas crocantes à base de gordura trans e sabores ressaltados por aditivos químicos dos produtos alimentícios.  Sua fundação (http://www.jamieoliver.com/foundation/)  empurrou o  governo britânico a mudar alguns parâmetros culinários para os colégios, obrigando-os a:

• ensinar conceitos básicos sobre nutrição, dieta e confecção dos alimentos, para que os alunos façam escolhas acertadas ao longo da vida;

• incluir frutas e hortaliças frescas no menu diário;

• substituir doces por pão, refrigerantes por água e batatas fritas por amêndoas e outros frutos secos;

• limitar as quantidades disponíveis de sal, ketchup e maionese;

• oferecer no máximo de duas porções de alimentos fritos por semana.

A programação do Food Revolution Day 2013 de São Paulo, Rio de Janeiro e Novo Hamburgo você encontra nesses links:
http://alimentopuro.synthasite.com/food-revolution-day.php
http://www.youtube.com/watch?v=wN9aFdgxHW0

Mais do que bem-vinda, a Revolução da Comida é urgente em nosso país. Quem ainda duvida precisa dar uma olhada no documentário Muito Além do Peso (http://www.muitoalemdopeso.com.br/).

Quer assinar a petição online internacional de apoio ao movimento? Vai lá: http://www.jamieoliver.com/us/foundation/jamies-food-revolution/sign-petition

E  fica o convite para assistir o próprio Jamie explicando por que criou o Food Revolution Day ( http://www.youtube.com/watch?v=zA83ASHriAM).

Por mim, esse dia seria um feriado mundial diferente. Todos faríamos nossas atividades cotidianas comuns, mas com o desafio de cozinhar com as refeições com as próprias mãos, usando apenas  ingredientes frescos, saudáveis e, se possível, orgânicos.

115. Limpeza Geral

Sempre me incomodou aquele cheirinho da faxina com produtos industrializados. Pesquisando o assunto, descobri que essas fórmulas estão cheias de ingredientes que causam alergia e outros problemas de saúde mais graves, além de poluir a água. Por isso, resolvi partir para soluções mais naturais.

No capítulo roupas, depois de abandonar o amaciante e os branqueadores, troquei o sabão em pó comum por sabão de coco em pó + sabão de coco em barra (é mais caro, mas aprendi várias técnicas para economizar na quantidade). Aliás, me tornei expert na arte de lavar roupas à mão com pouca água e pouco sabão, clareando no sol. O segredo é aquecer a água, sobretudo no caso das roupas claras, lençóis e toalhas (essa aprendi com minha mãe). Fervo algumas panelas e jogo na bacia de alumínio junto com 2 colheres de sopa de sabão em pó e mais água na temperatura ambiente. Deixo de molho 1 ou 2 horas e aí esfrego a sujeira aparente com sabão de coco em barra. Acho a atividade relaxante e as peças estão ficando incrivelmente melhor cuidadas e mais duráveis com esse tratamento natureba-vip. E a água suja vai para a rega do jardim sem problemas (só não uso na horta).

Roupas brancas são mais complicadas e fico pensando que melhor seria aderir à cor natural do algodão (cru). Com isso, a indústria deixaria de despejar no mundo toneladas de compostos tóxicos para deixar o tecido alvíssimo e, em casa, nós pararíamos com essa neura da manutenção da brancura. Uma mancha aqui outra ali às vezes é impossível tirar. Aprendi a conviver com panos de prato que apresentam algumas marcas do tempo mesmo quando limpos. A atitude faz parte do processo de trocar o perfeccionismo estético que prejudica a saúde pela realidade das coisas naturais.

Desacostumei tanto da química heavy metal que hoje fico com dor de cabeça quando entro num ambiente recém-faxinado de maneira convencional. E meus inimigos têm nome: Compostos Orgânicos Voláteis. E apelido: COVs. São ingredientes sintéticos comumente encontrados em limpadores industrializados, sem aviso no rótulo. Alguns deles têm alta toxidade e quase ninguém sabe. No post “Tempestade química em copo d’água” (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/111-tempestade-qumica-em-copo-dgua/) mencionei alguns dados alarmantes que vale a pena repetir: “30.000 diferentes compostos químicos são colocados em todo tipo de produto. Desses, apenas 4% são analisados rotineiramente e cerca de 400 são persistentes (não se desintegram no meio ambiente). 75% nunca tiveram seus efeitos colaterais estudados. Em contato umas com as outras, essas substâncias podem potencializar mutuamente seus efeitos ou formar outras descontroladamente”.

Para fugir dos COVs e outros venenos, passei a fazer em casa meu próprio desinfetante/limpa tudo, que é ótimo para passar no chão com pano úmido, usar no vaso sanitário e limpar vidros. Aí vai a receita:

  • Pique uma boa quantidade de algum tipo de erva (pode ser citronela, capim santo, alecrim, hortelã ou o matinho da sua preferência) e coloque dentro do álcool. Depois de alguns dias o álcool fica bem verde e pega o cheiro da planta.
  • Esprema 1 ou 2 limões (dependendo do tamanho), misture com 2 copos de água, coe e coloque dentro de uma garrafa PET de2 litros.
  • Adicione 1 copo de vinagre e 1 colher de sopa bem cheia de bicarbonato de sódio.
  • Junte um copo do álcool de ervas.
  • Acrescente mais água até encher a garrafa.
  • Depois de pronto, é só guardar o limpador na sombra e diluir em água quando for usar.

Estou colecionando outras fórmulas e dicas, sempre à base do sexteto-maravilha da limpeza sem química: limão/álcool/vinagre/bicarbonato/óleo/sabão de coco. Aqui vão alguns bons links:

Dá mais trabalho limpar a casa assim? Claro que dá, sobretudo porque empregados domésticos costumam ser resistentes a alternativas mais suaves de limpadores. Com isso, tenho me envolvido pessoalmente na faxina cada vez mais, o que me faz muito bem em vários sentidos. Estou convencida de que não existe nada mais natural e eticamente correto do que limpar a própria sujeira.

110. Os saquinhos de supermercado e a Rio+20

Se quase ninguém está disposto a sair da zona de conforto, como faremos as mudanças de estilo de vida necessárias para criar uma sociedade sustentável?

Imagine que você está num bote com alguns amigos passeando no mar. De repente, começa a entrar água. Dentro do bote, um par de remos, um balde bem grande e vários copinhos. Dois dos tripulantes são fortes e sarados. Os demais têm físico frágil. Os fracotes se reúnem para reclamar que os fortões deveriam remar e tirar a água do barco, mas não querem ajudar. E os fortões se recusam a fazer o trabalho sozinhos. Todos naufragam.

Essa historinha absurda me vem à cabeça toda vez que ouço pessoas bradarem contra a resolução que eliminou as sacolinhas plásticas gratuitas dos supermercados e comemorarem sua volta.

Claro que existem problemas ambientais muito mais graves do que os saquinhos plásticos. Também têm certa razão os que acusam os supermercados de aproveitar a onda das sacolas retornáveis para obter vantagens financeiras. Já falei sobre isso nesse blog e recebi uma chuva de reclamações, que provavelmente virão novamente depois do capenga enredo de naufrágio que inventei. Só menciono as particularidades saquinho-plásticas porque o assunto aqui é sair da zona de conforto.

A insustentabilidade do sistema em que vivemos não é novidade. Infelizmente, o bom andamento da política e da economia por enquanto são aferidos pelo consumo crescente que não poderá se manter por muito mais tempo, pois só temos à disposição esse planeta finito e já superexplorado. Então as circunstâncias nos convidam a iniciar mudanças de hábitos. Quanto antes começarmos, menos traumáticas serão. Levar a sacola para o supermercado é apenas um ínfimo exemplo de como reduzir impactos ambientais. Comer menos carne, usar menos carro, comprar menos, reutilizar mais, abandonar a agricultura à base de agrotóxicos, economizar água e energia das mais diversas formas são outros desafios que estão batendo à porta.

Vem aí a Rio+20 e a torcida do contra já está organizada. Muitos a consideram inútil, já que países e empresas e não se mostram dispostos a rever seus modos de agir na intensidade necessária para frear as mudanças climáticas, a desertificação, o desmatamento, a extinção de espécies e a contaminação do meio ambiente. Embora com mínimas expectativas de ver surgir uma revolução sustentável no evento, discordo. Acho que o evento vale a pena sobretudo por causa do encontro paralelo e extraoficial, a Cúpula dos Povos.

Estive na Rio 92 como jornalista e a experiência foi maravilhosa (veja aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/106-eu-fui-na-rio-92/). Ao longo dos anos fiquei sabendo de dúzias de livros, projetos e movimentos que nasceram no Fórum Global (assim se chamou o encontro alternativo daquela vez) e ajudam cada vez mais gente a viver bem preservando o meio ambiente e reduzindo a desigualdade social. São essas iniciativas que me enchem de esperança. E não é preciso ir à Cidade Maravilhosa para entrar na onda.

Para terminar, um conto de fadas do nosso tempo:

“Era uma vez uma floresta em chamas. Os animais se reuniram numa clareira para reclamar e apenas o beija-flor não compareceu ao triste encontro. Em vez disso, voava freneticamente para lá e para cá. Sem entender o que estava acontecendo, o elefante perguntou:

— O que faz você aí, pequeno beija-flor?

— Estou tentando apagar o fogo. Vou até o rio, encho meu bico de água, despejo nas labaredas e volto ao rio para pegar mais água.

Todos os animais riram muito. E o rei leão disse:

— Você não se enxerga, beija-flor? Com esse bico minúsculo não vai conseguir apagar coisa nenhuma.

Mas o beija-flor já estava longe, apressado, pois tinha muito trabalho a fazer.”

PS – O indiano Jadav Payeng faz parte da turma dos beija-flores. Durante 30 anos ele plantou sozinho e com as próprias mãos uma floresta que hoje tem 550 hectares e abriga até grandes mamíferos em risco de extinção como tigres e rinocerontes. Olha só que beleza: http://planetativo.com/2010/2012/04/o-homem-que-plantou-uma-floresta-sozinho/

105. Quando a publicidade erra o alvo

Iniciativas mirabolantes para atrair a atenção para anúncios conseguem ser apenas ridículas.

Os publicitários andam inventando estratégias cada vez mais estranhas e intrusivas para vender o peixe de seus clientes. Outro dia, por exemplo, eu estava passeando no Facebook quando um anúncio de iPad começou a chacoalhar na tela. Atordoada, apertei o X para exterminar o inseto virtual. Em vez disso, me vi no site de uma gincana qualquer cujo prêmio era a maquininha. Pensando ter errado a mira, fiz o caminho de volta à rede social. E lá estava a vespa tecnológica zunindo. Apertei de novo o mata-moscas eletrônico, agora com máxima precisão, e – plim! – caí outra vez na gaiola promocional.

Com medo kafkiano de virar prisioneira eterna do marketing digital, fechei o browser e fui tratar da “vida presencial”. Em vez de atiçar meu desejo (inexistente) de possuir um iPad, aquela publicidade deu raiva e me lembrou de notícias recentes sobre os bastidores macabros da fabricação desses gadgets. Assim que voltei ao Facebook (o anúncio sacolejante tinha ido atazanar outra freguesia – ufa!), postei a reportagem “O custo humano embutido num IPad” http://economia.estadao.com.br/noticias/neg%C3%B3cios,o-custo-humano-embutido-num-ipad,100770,0.htm, do NY Times, publicada no Brasil pelo Estadão. Aqui vai um trecho: “Os operários encarregados da montagem dos iPhones, iPads e outros aparelhos com frequência trabalham em condições terríveis. Fazem horas extras excessivas, em alguns casos trabalham sete dias por semana e vivem em dormitórios superlotados. Empregados menores de idade ajudaram a fabricar produtos da Apple, fornecedores da companhia armazenaram inadequadamente lixo tóxico e falsificaram registros”. A indústria de celulares também tem muito do que se envergonhar, como já contei aqui (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/93-como-nascem-os-celulares/).

Não foi a primeira nem a última vez que eu tentei fechar um anúncio e acabei no site do anunciante. Ao que parece, são erros intencionais visando aumentar o “click through” da publicidade. Para quem não é do ramo, explico: na internet a eficiência da publicidade costuma ser aferida pelo número de pessoas que clicam nos anúncios. Ao forçar o clique, a turma do marketing infla artificialmente o próprio sucesso, atitude desonesta com o internauta e também com o cliente.

Outro absurdo: em 9/3, a agência paulistana XYZ Live publicou anúncios de página inteira nos jornais para dizer ao mundo que contratou uma vice-presidente comercial e mostrá-la num retrato de 40cm de altura. Puro nonsense, já que a notícia só interessa ao métier e, sobretudo, à turma da fofoca no cafezinho da tal firma. Fiquei imaginando as centenas de toneladas de papel e os litros de tinta tóxica desperdiçados nessa demonstração pública de poder econômico e de imperiosa necessidade de inflar o ego da executiva. Vivendo num mundo de recursos cada vez mais escassos, há infinitas maneiras mais éticas de gastar as dezenas de milhares de reais que foram necessários para comprar todo aquele espaço na imprensa.

Minha hipótese é que essas doideiras são sinal de desespero nos corredores das agências. A exposição maciça à mídia anestesiou o consumidor, que presta cada vez menos atenção em anúncio. Como dizia aquela profética música dos anos 80: “Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim”.

De resto, com honrosas exceções, predomina o feijão com arroz nos reclames. Ou seja, diariamente somos bombardeados por piadinhas sem graça, falsas promessas de felicidade a partir do consumo de produtos ordinários, valores egoístas e preconceituosos.

Até mesmo esse blog, veja só, se tornou vítima da pirataria do marketing. Algum espetinho espetou em alguns posts antigos (que eu raramente inspeciono) links em palavras soltas para anúncios. O engraçado é que os textos são sempre muito críticos ao consumismo. Quando localizo, arranco a erva daninha na hora. Se você encontrar a praga por aí, por favor me avisa que eu vou lá de machado na mão.

PS – Geeente, acho que irritei o hacker! Depois que postei esse texto, 3 palavras apareceram com link publicitário pirata: prêmio, condições e notícia. Por favor não cliquem. Estou indo atrás de quem cuida das questões tecnológicas para eliminar isso. Na ferramenta de edição do blog os links são invisíveis. Espero resolver logo.

103. A polêmica das sacolinhas

Respondo aqui questionamentos sobre o sumiço das embalagens descartáveis gratuitas dos supermercados.

Tempos atrás resolvi escrever um post com dicas para facilitar a vida de quem está se acostumando a ir às compras com suas próprias sacolas (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/73-sem-medo-de-dizer-adeus-sacolinhas/). E aí, tanto no blog quanto na “vida real”, tenho observado comentários mau-humorados e alguns até ofensivos à turma dos ambientalistas.

Sou totalmente a favor da conversa entre pessoas que possuem diferentes pontos de vista. Acredito que, no encontro respeitoso entre índios de diversas tribos, todos ganham. Os tempos de informalidade e comunicação eletrônica que vivemos, no entanto, pedem ainda mais atenção com as regras de civilidade. Trocando em miúdos: seja bem-vindo ao debate, mas por favor se manifeste com gentileza! Agora, respondendo aos seus questionamentos…

E a maioria da população que tem que pegar ônibus, trem, metrô? Vai carregar caixas? As sacolinhas plásticas não tornam as compras mais leves. E o risco do plástico fino das descartáveis rasgar é maior do que no caso das sacolas duráveis.

O líquido de carnes em contato com tecido ou papelão não irá aumentar o risco de contaminação? Há cerca de 20 anos uso sacolas retornáveis e nunca tive esse problema. Sequer embrulho as carnes com plástico extra. Costumo colocar os “úmidos” todos juntos. Como tenho tanto sacolas de tecido quanto de trama plástica (aquelas tradicionais “de feira”), dou preferência às últimas para as carnes. De vez em quando, lavo todas com minhas próprias mãos e coloco para secar no sol.

E os produtos de limpeza ficarão juntos com os alimentos na caixa?É possível reservar uma sacola exclusivamente para produtos de limpeza. Não preciso fazer isso porque o consumo dos itens químicos na minha casa é bem pequeno (quase tudo dá para limpar com sabão de coco e bastante esfregação). Com as ecobags fica fácil organizar as compras ali na saída do caixa. Enquanto os produtos vão passando pelo leitor do código de barras, já separo cada grupo em uma sacola diferente. Isso simplifica muito o trabalho de guardar em casa. Como prefiro fazer isso pessoalmente, quando há empacotadores tomo o lugar deles.

E o povo vai colocar o lixo aonde? Direto nas ruas? Vai ter condições de comprar sacos de lixo? Realmente, nos locais onde falta urbanização e coleta de lixo decente a coisa complica. Mas a culpa não é da falta de sacolas plásticas. Ao contrário, elas representam riscos extras para a população carente. O governo de Bangladesh foi um dos primeiros a banir as sacolinhas, depois de enchentes devastadoras e muitas mortes devido ao entupimento da rede de esgotos por sacos plásticos. E o pessoal de uma comunidade de Florianópolis criou uma solução brilhante para o lixo orgânico, o mais problemático. É a Revolução dos Baldinhos: http://www.youtube.com/watch?v=NlFFmO-xkBI.

Vocês ecos já estão fora de moda de tanto se acharem. Se não gostam de sacolas plásticas, usem as de tecidos, carreguem bastante peso e contraiam uma lordose. Como disse acima, as sacolas plásticas não deixam as compras mais leves. E, na minha opinião, tornam o transporte mais desconfortável. Nós ambientalistas nem pretendemos estar na moda, muito ao contrário. Fazemos ativismo porque queremos que a sociedade se torne mais justa, com oportunidades de consumo mais igualitárias. Estamos tentando criar uma nova economia, baseada num ciclo virtuoso de geração de trabalho e renda em atividades que melhorem o meio ambiente e as condições de vida de todos os seres, não só os humanos.

Enquanto os barões do varejo negam as sacolas plásticas preocupados com a ecoidiotice ambiental, deveriam também se preocupar com as garrafas PET que são despejadas no meio ambiente. Tem razão! Garrafas PET são um problema ainda pior. Dê uma olhada no que diz a iniciativa Água na Jarra: http://www.aguanajarra.com.br/. Também acho ruim a superconcentração econômica do varejo e dou preferência às lojas menores (de bairro) e à entrega domiciliar de produtos agroecológicos cultivados na minha região. Além disso, evito o consumo de alimentos industrializados, sobretudo os provenientes de grandes corporações.

Então “caros defensores da Terra”, por que não brigam por um melhor saneamento básico em nosso país, por uma melhor coleta seletiva de resíduos sólidos, pelo fim (mas fim mesmo) de todas as embalagens plásticas. Nós estamos fazendo isso. Escrevemos blogs, fazemos campanha, passeata, tentamos conscientizar as pessoas pelo Facebook e até participamos dos Conselhos de Desenvolvimento Sustentável (CADES) dos nossos municípios (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/cades/). Qualquer cidadão pode freqüentar as reuniões. Vamos nessa?

Por que eu tenho que levar embalagens para o supermercado se os políticos e as empresas não fazem a parte deles? Se todos se acomodarem, nunca as coisas vão melhorar. Com que moral cobraremos atitudes mais sustentáveis dos governantes e das empresas se não estamos dispostos a mudar em nada os nossos hábitos?

100. Isso é férias?

Falta de preparo para lidar com a chuva causa tragédias. Esgoto polui praias. Superlotação atrapalha passeios. Por essas e outras, guardei a mala e agora quero aproveitar muito o verão sem sair da metrópole.

Nas últimas semanas viajei duas vezes, por poucos dias e sem percorrer grandes distâncias. Enquanto estive longe de casa, assisti ao vivo, pela TV e nos jornais os dramas do verão. Pavorosas notícias sobre inundações, deslizamentos, soterramentos e acidentes de automóvel. Melancólicos informes sobre a poluição em diversas praias do litoral paulista, com a CETESB sugerindo aos cidadãos ficar longe do mar nesses locais (relatórios atualizados em http://www.cetesb.sp.gov.br/qualidade-da-praia). Fiquei pensando nas pessoas (em especial as crianças) que tanto sonharam com mergulhos nas ondas e agora correm o risco de adoecer. Isso sem falar nos congestionamentos em estradas, na lotação absurda dos aeroportos e das atrações turísticas. Subir no Cristo Redentor pode demorar até 8 horas e famílias inteiras atolam nas filas dos brinquedos da Disneyworld. Ouvi dizer que os outlets da Flórida estão abarrotados, mas da turma enjaulada nas lojas não tenho pena. Larguem as compras e vão passear! Até mesmo os bistrozinhos descolados parisienses andam servindo comida congelada, relata a cronista chique Danuza Leão (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/1031334-paris.shtml).

Já ouvi pessoas que repudiam a democratização do turismo fazerem comentários do tipo “O aeroporto está parecendo uma rodoviária”. Não concordo com essa postura. Seria ótimo se todos os 7 bilhões de seres humanos pudessem veranear em praias desertas e conhecer as grandes maravilhas do planeta. No entanto, não há como fazer de forma sustentável o deslocamento de multidões ávidas por consumo e experiências inesquecíveis. O turismo está entre os muitos comportamentos sociais que caducaram diante da situação atual da humanidade no planeta. Aliás, o próprio conceito de férias como válvula de escape para um cotidiano massacrante já demonstra o grau de desequilíbrio em que vivemos.

Mesmo sabendo que opiniões assim fazem com que nós, os ecochatos, tenhamos conquistado a fama de estraga-prazeres, está difícil ficar quieta diante de tanta confusão. Quero ser feliz todos os meses do ano e todos os dias da semana, sem muita distinção entre o que é trabalho e o que é lazer, o que é estudo e o que é diversão.

Vou aproveitar o que resta da temporada passeando nos parques e praças de São Paulo, encontrando os amigos com calma, indo ao cinema, ouvindo música, lendo, cozinhando e, é claro, cuidando das plantas. Oba!

99. Permacultura: o que é isso?

A permacultura propõe viver sem esgotar os recursos naturais. E tudo começa na sua casa, colocando a mão na massa.

Nossa civilização devora a natureza numa velocidade superior ao seu ritmo de reposição, produz lixo, contamina o ar, a água e o solo. Óbvio que será impossível continuar assim por muito tempo. A permacultura visa o oposto: criar uma sociedade capaz de se manter infinitamente sem esgotar os recursos necessários à sobrevivência humana.

Parece utópico? Sem dúvida, mas é minha utopia preferida.

Mistura de ciências, tecnologias e filosofias de vida, a permacultura é recente. O termo foi inventado pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren em1974 apartir da contração de “permanent” e “agriculture”. Tratava-se, a princípio, de uma série de práticas ecológicas de plantio. Logo o conceito passou a englobar bioconstrução, produção local de energia, manejo de água e aspectos comportamentais, tornando-se “cultura da permanência”.

No mundo todo, a comunidade de permacultores está crescendo. Já somos milhares de seres humanos por aí em diferentes estágios do processo individualizado e/ou comunitário de descobrir como viver seguindo esses quatro princípios:

1 – Cuidado com o planeta

2 – Cuidado com as pessoas

3 – Partilha dos excedentes (inclusive conhecimentos)

4 – Limite ao consumo

No dia-a-dia, temos a troca de experiências com os colegas, cursos, leituras e alguns parâmetros a nos guiar. Reaproveitamento máximo de materiais, evitando produzir lixo, é um deles. Lidar criativamente com as condições oferecidas, transformando problemas em soluções, é outro. Também tentamos imitar a natureza, fechar ciclos produtivos, diversificar e tornar locais as fontes de recursos, cooperar em vez de competir e integrar em vez de fragmentar.

Se essa história de permacultura está parecendo muito teórica, coloque logo a mão na massa que fica fácil entender. Você pode plantar uma pequena horta, transformar sucatas em utensílios, fazer reforminhas em casa, captar água da chuva, cozinhar, lavar ou costurar. O que importa é consumir menos e criar mais, da maneira que for melhor para você. Como diz o permacultor Claudio Spinola, da Morada da Floresta: “Se não é divertido, não é sustentável”.

Indicações:

– A página wiki do Curso de Introdução à Permacultura Urbana da Subprefeitura de Pinheiros (lá tem muuuito material de referência) http://pt.wikiversity.org/wiki/Introdu%C3%A7%C3%A3o_%C3%A0_Permacultura_Urbana

– O documentário “Utopia no Quintal” sobre permacultura urbana (e paulistana). Realizado por Daniela Catelli, Natalia Belucci, Fernando Moura e Billy Jow, tem 25 minutos. A entrevistada fotofóbica que franze a testa sou eu. Aí vai o link: http://vimeo.com/33174098.

– Pesquisar, além da palavra permacultura, ecovilas, PDC (sigla em inglês para Curso de Design em Permacultura) e SAF (Sistemas Agroflorestais).

97. Alquimistas do lixo

Pingente Fênix de lata de alumínio e casca de coco (Arthur Lewis)

No domingo (11/12) vai acontecer, na Vila Madalena, o último Mercado do Beco do ano. Nesse bazar maravilhoso a principal matéria prima é lixo.

Quanto menos compras de Natal, melhor. Se é inevitável dar algum presente, vale a pena ir atrás das obras feitas com sucata pelos artesãos do Mercado do Beco. Fernanda Vaz, a curadora, garimpa há vários anos artesãos que trabalham com o reaproveitamento de sucata. Para ela, não basta o ecologicamente correto e o socialmente justo, as peças precisam ser lindas. E são!

 

Essa flor é uma garrafa pet que não vai para o lixão (Claudia Gianini)

Na edição anterior, que rolou em outubro, convidei minha filha Julieta para conhecer o Mercado do Beco. Ela, que nem sempre se anima com as maluquices verdes da mãe, topou meio arrastada. Chegando lá, ficou eufórica com tanta beleza e está contando os dias até domingo. Além de encontrar bijuterias, móveis, roupas e outros objetos, o evento terá uma programação de espetáculos e oficinas artísticas. Veja abaixo e em http://www.mercadodobeco.blogspot.com/.

 

Horário: das 13h às 21h.
Local: Centro cultural Rio Verde (Rua Belmiro Braga, 119). Fica naquele trechinho perto do Beco do Batman, da Pérola Negra e quase em frente ao Café Aprendiz. Melhor não estacionar na baixada porque quando dá tempestade aquela rua vira um rio. Ou melhor, o Rio Verde, que foi escondido pelo asfalto, reaparece. São Paulo é uma Veneza disfarçada, cidade construída entre rios e riachos posteriormente entubados. Já que entrei em outro assunto, aproveito para indicar as expedições e relatos do grupo Rios e Ruas & Árvores Vivas (no Facebook), que está redescobrindo a bacia hidrográfica paulistana.