115. Limpeza Geral

Sempre me incomodou aquele cheirinho da faxina com produtos industrializados. Pesquisando o assunto, descobri que essas fórmulas estão cheias de ingredientes que causam alergia e outros problemas de saúde mais graves, além de poluir a água. Por isso, resolvi partir para soluções mais naturais.

No capítulo roupas, depois de abandonar o amaciante e os branqueadores, troquei o sabão em pó comum por sabão de coco em pó + sabão de coco em barra (é mais caro, mas aprendi várias técnicas para economizar na quantidade). Aliás, me tornei expert na arte de lavar roupas à mão com pouca água e pouco sabão, clareando no sol. O segredo é aquecer a água, sobretudo no caso das roupas claras, lençóis e toalhas (essa aprendi com minha mãe). Fervo algumas panelas e jogo na bacia de alumínio junto com 2 colheres de sopa de sabão em pó e mais água na temperatura ambiente. Deixo de molho 1 ou 2 horas e aí esfrego a sujeira aparente com sabão de coco em barra. Acho a atividade relaxante e as peças estão ficando incrivelmente melhor cuidadas e mais duráveis com esse tratamento natureba-vip. E a água suja vai para a rega do jardim sem problemas (só não uso na horta).

Roupas brancas são mais complicadas e fico pensando que melhor seria aderir à cor natural do algodão (cru). Com isso, a indústria deixaria de despejar no mundo toneladas de compostos tóxicos para deixar o tecido alvíssimo e, em casa, nós pararíamos com essa neura da manutenção da brancura. Uma mancha aqui outra ali às vezes é impossível tirar. Aprendi a conviver com panos de prato que apresentam algumas marcas do tempo mesmo quando limpos. A atitude faz parte do processo de trocar o perfeccionismo estético que prejudica a saúde pela realidade das coisas naturais.

Desacostumei tanto da química heavy metal que hoje fico com dor de cabeça quando entro num ambiente recém-faxinado de maneira convencional. E meus inimigos têm nome: Compostos Orgânicos Voláteis. E apelido: COVs. São ingredientes sintéticos comumente encontrados em limpadores industrializados, sem aviso no rótulo. Alguns deles têm alta toxidade e quase ninguém sabe. No post “Tempestade química em copo d’água” (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/111-tempestade-qumica-em-copo-dgua/) mencionei alguns dados alarmantes que vale a pena repetir: “30.000 diferentes compostos químicos são colocados em todo tipo de produto. Desses, apenas 4% são analisados rotineiramente e cerca de 400 são persistentes (não se desintegram no meio ambiente). 75% nunca tiveram seus efeitos colaterais estudados. Em contato umas com as outras, essas substâncias podem potencializar mutuamente seus efeitos ou formar outras descontroladamente”.

Para fugir dos COVs e outros venenos, passei a fazer em casa meu próprio desinfetante/limpa tudo, que é ótimo para passar no chão com pano úmido, usar no vaso sanitário e limpar vidros. Aí vai a receita:

  • Pique uma boa quantidade de algum tipo de erva (pode ser citronela, capim santo, alecrim, hortelã ou o matinho da sua preferência) e coloque dentro do álcool. Depois de alguns dias o álcool fica bem verde e pega o cheiro da planta.
  • Esprema 1 ou 2 limões (dependendo do tamanho), misture com 2 copos de água, coe e coloque dentro de uma garrafa PET de2 litros.
  • Adicione 1 copo de vinagre e 1 colher de sopa bem cheia de bicarbonato de sódio.
  • Junte um copo do álcool de ervas.
  • Acrescente mais água até encher a garrafa.
  • Depois de pronto, é só guardar o limpador na sombra e diluir em água quando for usar.

Estou colecionando outras fórmulas e dicas, sempre à base do sexteto-maravilha da limpeza sem química: limão/álcool/vinagre/bicarbonato/óleo/sabão de coco. Aqui vão alguns bons links:

Dá mais trabalho limpar a casa assim? Claro que dá, sobretudo porque empregados domésticos costumam ser resistentes a alternativas mais suaves de limpadores. Com isso, tenho me envolvido pessoalmente na faxina cada vez mais, o que me faz muito bem em vários sentidos. Estou convencida de que não existe nada mais natural e eticamente correto do que limpar a própria sujeira.

86. Mensageiros da Primavera

Enquanto a agricultura química declara guerra aos insetos & cia, a agroecologia ensina a conviver. Nessa época do ano, mais bichinhos aparecem e precisamos reaprender que nossa existência depende deles. 

Tanto as ruas quanto os canteiros aqui de casa estão se enchendo de flores. Além delas e das árvores brotando, há outro indício de que a primavera vem aí: aumenta a população de pequenos animais que vivem ou visitam a horta. Observo as fofas joaninhas, os exóticos grilos e besouros, a movimentação das formigas, os beija-flores flutuando, os bem-te-vis cantando, a chegada das abelhas e a gulodice das lagartas.

Muita gente acredita que, para fazer agricultura orgânica, basta substituir os agrotóxicos pelos adubos naturais. Mas as diferenças são muito mais profundas. Outro dia aprendi que o verdadeiro trabalho do agricultor orgânico não é alimentar as plantas e sim os microorganismos que fertilizam o solo. Já o cultivo com base em produtos químicos declara guerra aos seres vivos, com exceção da espécie que se repete naqueles imensos e monótonos campos de monocultura. “Todo bichinho deve ser exterminado” parece ser o mantra dessa turma.

“Pura ingenuidade dos humanos, esses recém chegados”, deve ser a conversa nos formigueiros. As baratas, por exemplo, conseguirão se virar mesmo se continuarmos empurrando o mundo para o cataclisma ambiental. Elas já existiam antes do surgimento dos dinossauros e sobrevivem a 20 vezes mais radiação do que nós (http://super.abril.com.br/mundo-animal/verdade-so-baratas-sobreviveriam-desastre-nuclear-447831.shtml). E as abelhas (que estão desaparecendo em várias regiões provavelmente por causa da nossa poluição química e eletrônica) são polinizadoras de diversos vegetais (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-misterioso-sumico-das-abelhas,671171,0.htm). Se elas sumirem, desaparecerão também, por exemplo, as maçãs.

Numa floresta virgem não existem pragas, já que todas as espécies são interdependentes e alimentam umas às outras. A diversidade do sistema previne contra a proliferação descontrolada do que quer que seja. Os adeptos da agroecologia tentam restabelecer esse equilíbrio sutil plantando vários tipos de plantas, integrando a lavoura à criação de animais, preservando fontes hídricas e áreas de vegetação natural. Quando a terra está sadia, é possível dispensar adubos químicos e venenos.

No meu quintal tento seguir esses preceitos em escala micro. Aos poucos vão crescendo árvores que ninguém semeou, como uma goiabeira do lado de cozinha e uma embaúba perto do muro. Sonho em cultivar uma agrofloresta urbana em plena SãoPaulo e assim continuar colhendo ervas, hortaliças e legumes no meio das árvores e acolhendo os bichinhos que aparecem.

Mas nem sempre é fácil a convivência com os liliputianos. Pulgões às vezes estragam os pés de couve e os passarinhos pisoteiam as mudas recém-plantadas quando vêm caçar minhocas. As lagartas de fogo aparecem no final do verão e já sofri queimaduras. Semana passada foi a vez de lesmas gigantes atacarem as folhas das palmeiras. Às vezes expulso a galera com jatos d’água ou borrifando limonada, pimenta ou alho batido. Tem também os pernilongos, contra quem pusemos tela e plantamos citronela. Quando começam a picar, corto umas folhas e jogo no chão. O cheiro é gostoso e eles se mandam. 

Cada vez mais, tento observar e entender os ciclos dos bichinhos para tentar uma convivência pacífica. Já aprendi que plantar flores junto com os comestíveis é ótimo para atrair inimigos naturais de quem gosta de devorar a colheita. E fica lindo!

 

85. A próxima revolução industrial

E se todo resíduo se tornasse alimento biológico ou tecnológico? E se deixássemos de usar substâncias tóxicas na fabricação de produtos? Mais do que possível, iniciar a extinção do lixo e dos contaminantes é urgentemente necessário.

O arquiteto norte-americano William McDonough e o químico alemão Michael Braungart (ecologistas desde sempre e hoje cinqüentões) apresentaram seu primeiro projeto em parceria durante a Eco 92. O documento “Hannover Principles” estabeleceu diretrizes de sustentabilidade que continuam muito atuais para as áreas de design e arquitetura (http://en.wikipedia.org/wiki/Hannover_Principles). Entre elas estava a proposta de abolir o lixo. Não reduzir ou reciclar os dejetos, mas acabar de vez com esse conceito.

A ideia deu origem ao livro “Cradle to Cradle: Remaking the way we make things” (Do Berço ao Berço: repensando a maneira como produzimos as coisas). Lançado em 2002, até hoje não tem edição brasileira, algo inexplicável, pois a obra se tornou uma das bíblias do ambientalismo. Depois de ler cada página e perceber meus horizontes mentais se expandindo, resolvi resumir e compartilhar o que eles dizem.

Mc Donough e Braungart começam desfilando os horrores da cadeia produtiva industrial que se baseia na extração de matérias primas da natureza (seja petróleo, metal, minério, planta ou bicho). Geralmente isso ocorre de forma brutal, deixando um rastro de poluição e devastação. E eles não nos deixam esquecer que a maioria das reservas desses insumos caminha para o esgotamento.

Depois os autores nos fazem perceber como é rápido o instante em que desfrutamos dos produtos adquiridos com tanto sacrifício para o meio ambiente. Pense na garrafinha de água mineral, na caixinha de suco, na embalagem dos lápis de cor que em um segundo se tornam sucata. E mesmo aquilo que parece durar bastante em nossas mãos (como sapatos e equipamentos eletrônicos) tem uso por apenas um ínfimo fragmento dos séculos que passarão enquanto se decompõe. Pense na carcaça do computador e no brinquedinho de pilha degradando lentamente no aterro e vazando no ar, solo, lençóis freáticos e cursos d’água substâncias tóxicas como cádmio, mercúrio, chumbo & cia.  

Enquanto isso, o esgoto vai recebendo cargas de antibióticos, hormônios e outros remédios expelidos não só pelas pessoas como também pelos bichos criados em fazendas para fornecer carne, leite e ovos. Acrescente os produtos químicos barra pesada usados pelas indústrias e na limpeza doméstica e está explicado por que esses efluentes se tornam a cada dia mais ameaçadores para a saúde pública.

Voltando ao lixo industrializado, a dupla do Cradle (pronuncia-se “creidol”) desvenda uma série de problemas ligados à forma como a reciclagem é feita atualmente. Eles avisam que os materiais geralmente entram num processo de “downcycling” (deterioração de valor) e muita energia e emissão de gases é necessária para o transporte e transformação da sucata. No caso dos plásticos, por exemplo, diferentes tipos se misturam em piscinas de produtos altamente corrosivos gerando um híbrido de baixa qualidade, num processo que também solta contaminantes. Já o aço puríssimo com o qual são feitas algumas peças dos carros acabam se mesclando a outros metais menos nobres e pigmentos das tintas também gerando poluição e o que sai dali não é mais confiável para colocarem automóveis. Ao projetar um item de consumo, ninguém ainda prioriza o ciclo virtuoso de reutilização, reciclagem limpa e ganho de valor nos processos (upcycling). Tanto a indústria como a esmagadora maioria dos cidadãos prefere o baixo custo imediato e a pseudopraticidade dos descartáveis.

O que fazer então?

Imitar a natureza, onde nada se perde e tudo se transforma. McD+Braun propõem que cada resíduo seja transformado em alimento biológico ou tecnológico. Com os orgânicos (incluindo excrementos), o caminho é a compostagem para gerar adubo. Ou seja, esse material não deveria nunca ir parar nos lixões. Para o restante, as empresas devem redesenhar todo o ciclo de produção prevendo que 100% do que sobra ao final do consumo se torne novamente matéria prima (esse é o sentido da expressão “do berço ao berço”). Pelo caminho, é preciso encontrar substitutos para as substâncias tóxicas que hoje fazem parte dos processos industriais e também da agropecuária sejam aposentadas.

Parece difícil e talvez não seja possível imediatamente, mas isso precisa começar a ser feito. De acordo com os autores, diminuir o lixo em X% ou usar Y% menos veneno é apenas caminhar para o desastre em velocidade um pouco menor.

Para quem pretende aprofundar os conhecimentos ecológicos e está disposto a fazer do desenvolvimento sustentável uma realidade, recomendo três livros que mudaram a maneira como a humanidade vê sua relação com a natureza e os problemas sociais e de saúde:

1)    Silent Spring (Primavera Silenciosa), de Rachel Carson/1962 http://conectarcomunicacao.com.br/blog/14-rainha-da-primavera/

2)    Small is Beautiful: Economics as if people matered (O pequeno é bonito: economia como se as pessoas importassem), de E. F. Schumacher/1973 http://conectarcomunicacao.com.br/blog/49-beleza-pequeno/

3)    Cradle to Cradle: Remaking the way we make things (Do Berço ao Berço: repensando a maneira como produzimos as coisas), de William McDonough e Michael Braungart/2002

Infelizmente, nossas livrarias não oferecem no momento a edição em português de nenhum deles. Também em inglês, a ótima apresentação de Mc Donough no TED: http://www.youtube.com/watch?v=IoRjz8iTVoo

84. O veneno está na mesa. Socorro!

Um documentário, divulgado livremente pela internet, mostra os terríveis problemas de saúde pública provocados pela agricultura baseada em agrotóxicos.

O cineasta Silvio Tendler ficou conhecido pelas biografias históricas de JK, Jango e Carlos Marighella, entre outros documentários de cunho social. Sua decisão de enfocar o que está acontecendo no mundo rural brasileiro deu em “O veneno está na mesa”, um filme realizado com o objetivo de levantar essa discussão e, por isso, liberado para assistir na íntegra pela internet http://www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg

São 50 minutos de relatos sobre a tragédia que é o uso de agrotóxicos na lavoura, com muitas situações absurdas que a maioria das pessoas ainda desconhece. Veja algumas delas…

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e permite o uso de mais de 400 tipos desses venenos. No filme, fala-se em5,2 litrosanuais por pessoa, mas é possível que o dado já esteja defasado. Em julho de 2011, assisti uma apresentação na BioFairem que Rogério Dias(Coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) mencionou que já chegamos a5,7 litros.  

Aquilo que as indústrias do setor chamam eufemisticamente de “defensivos agrícolas” são nada menos do que armas químicas. Entre os mais antigos estão o Zykon, usado nos campos de concentração nazistas, e o Agente Laranja, na Guerra do Vietnã.

A legislação brasileira é uma das mais complacentes em relação aos agrotóxicos. Produtos banidos até na China são usados livremente por aqui. Para complicar, falta fiscalização, como atestou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária em relatório divulgado em 2009. Na ocasião, das 3130 amostras coletadas em 26 estados, 29% estavam contaminadas (com mais agrotóxicos do que os níveis já altíssimos permitidos por lei ou com substâncias proibidas). Os alimentos campeões em veneno: pimentão (80%), uva (56%), morango (55%), abacaxi (44%), mamão (39%), alface (38%).  

O crédito governamental para financiamento agrícola está vinculado à aquisição de sementes transgênicas e agrotóxicos. O agricultor precisa mostrar no banco as notas fiscais de compra.

Em março de 2011, Danielly Cristina de Andrade Palma, defendeu tese de mestradoem Saúde Coletivada Universidade Federal do Mato Grosso. Em sua pesquisa, ela analisou o leite materno de 62 mulheres de Lucas do Rio Verde, norte do Estado. 100% das amostras estavam contaminadas com agrotóxicos. Outros estudos demonstram que a contaminação inicia no útero e a exposição aos agrotóxicos na gravidez, sobretudo pelas trabalhadoras rurais, está relacionada à má formação fetal e câncer na infância.

Diversos agricultores contam suas experiências de intoxicação por agrotóxicos. O depoiment que mais choca é o da viúva de Vanderlei Matos da Silva, que era perfeitamente saudável quando foi contratado para misturar as substâncias que seriam aplicadas na lavoura de abacaxi no Ceará e morreu de intoxicação hepática aos 29 anos.

Pesquisadores da ANVISA e da Fundação Oswaldo Cruz, ambos órgãos governamentais, relatam pressão política para não alertar a população sobre esse problema.

Desde que a agricultura foi criada, há cerca de 10 mil anos, os agricultores sempre guardaram parte da colheita para servir de semente na safra seguinte. Mas agora as sementes transgênicas são parte do pacote fechado da agricultura baseada em produtos químicos. Assim, as sementes naturais, chamadas crioulas, estão desaparecendo. Na minha opinião, esse é o maior risco que o atual sistema representa para o futuro da humanidade, pois a perda da biodiversidade é irreparável.

Felizmente, embora ainda pareça longe o dia em que esses venenos serão banidos do país e do mundo, a cada dia aumenta a preocupação geral com o uso de agrotóxicos na lavoura. Silvio Tendler pretende fazer outros documentários sobre o assunto (saiba mais em http://www.brasildefato.com.br/node/6965). Espero que ele resolva enfocar as soluções que já existem. As mais bacanas, na minha opinião, são:

  • Comprar de distribuidores de alimentos agroecológicos (100% orgânicos e ainda melhores, pois dão uma força para a agricultura familiar e o comércio justo):

www.aboaterra.com.br;
www.alimentosustentavel.com.br;
www.sabornatural.com.br;
www.sementesdepaz.com.br;
www.caminhosdaroca.com.br;
www.familiaorganica.com.br

DÊ SUA ADESÃO À CAMPANHA PERMANENTE CONTRA OS AGROTÓXICOS E PELA VIDA   contraosagrotoxicos@gmail.com                (11) 3392 2660

68. 10 razões para optar pelo orgânico

couve linda
Essa couve linda é da minha horta! 🙂

1 – É mais saudável para o consumidor
Os adubos químicos possuem apenas três componentes (nitrogênio, fósforo e potássio) enquanto os orgânicos têm também cálcio, magnésio, boro, zinco e vários outros elementos, além de proteínas, vitaminas, enzimas e aminoácidos. Portanto, os alimentos produzidos dessa forma são mais nutritivos. Além disso, pesticidas, hormônios e antibióticos aplicados na agricultura e na pecuária convencionais persistem nos produtos. Não adianta lavar, pois essas substâncias os impregnam internamente. 

2 – É mais saudável para o produtor
As maiores vítimas dos agrotóxicos são as pessoas que os manuseiam diretamente e que vivem perto das plantações tratadas quimicamente. Casos de envenenamento agudo não são incomuns, mas na maioria das vezes a contaminação se dá pouco a pouco, dia após dia, com consequências muito graves para a saúde.

3 – É mais justo
Produtores orgânicos só obtêm certificação se cumprirem rigorosamente todas as leis trabalhistas e oferecerem condições dignas aos trabalhadores do campo. A fiscalização por parte das entidades certificadoras é frequente.

4 – Preserva a pureza da água
Pesticidas e metais pesados utilizados nos compostos agroquímicos infiltram-se em lençóis freáticos e riachos. A eliminação da mata ciliar e o desrespeito à reserva legal de vegetação nativa, situações comuns no agronegócio convencional, comprometem nascentes e rios.

5 – Mantém a fertilidade do solo
Produtores orgânicos de pequeno porte não praticam a monocultura, não utilizam mecanização intensiva, só aplicam adubos de fontes naturais, mantêm a cobertura vegetal sobre o solo, fazem adubação verde, rotação de culturas e tomam precauções contra a erosão. Todos esses procedimentos preservam — e muitas vezes aumentam! — a capacidade produtiva do solo ao longo dos anos.

6 – Dá uma força para as pequenas propriedades agrícolas
Na agricultura convencional de larga escala, os pequenos não têm vez. O negócio só dá lucro na base do latifúndio, da monocultura e do consumo incessante de insumos caros. Os pequenos produtores quebram, empobrecem e muitos acabam tendo que vender suas terras e mudar para a periferia das cidades, iniciando um ciclo vicioso de problemas sociais. 

7 – Protege a biodiversidade
Na agricultura convencional, os agrotóxicos matam indiscriminadamente pequenos animais e afugentam pássaros. As sementes e espécies crioulas (nativas) são desprezadas. Reservas legais de mata comumente são desrespeitadas e a monocultura é priorizada. Todos esses fatores que contribuem para reduzir a biodiversidade não estão presentes na agricultura orgânica realizada em pequenas propriedades.

8 – Diminui a emissão de gases do efeito estufa
Fertilizantes químicos consomem muita energia na sua produção, geralmente de fontes petrolíferas. Por isso, as indústrias do setor ão grandes emissoras de gases relacionados ao aquecimento global.

9 – Deixa um mundo melhor para a próxima geração
A agricultura baseada em produtos químicos só resulta em produtos mais baratos porque não cuida dos problemas ambientais e de saúde pública que provoca, deixando para o futuro a difícil missão de solucioná-los. Caso fossem computados os gastos com despesas médicas, o pagamento justo aos produtores, os investimentos necessários para recuperar as fontes hídricas e a fertilidade do solo, seu preço seria muito superior ao dos produtos orgânicos. Quem consome orgânicos está pagando por benefícios indiretos para todos, como melhor qualidade da água, do ar, redução da temperatura terrestre e das erosões. 

10 – É mais gostoso
Além de todos os benefícios para a saúde, o meio ambiente e as relações sociais que a produção orgânica proporciona, os alimentos produzidos desse modo são muito mais saborosos. Essa é a opinião de chefs de cozinha renomados — como Alex Atala, Rodrigo Oliveira e Ana Luiza Trajano — e de milhares de consumidores em todo o mundo.

EXPLICANDO…
Esse post tem a ver com algumas novidades.

A primeira é que estou fazendo um curso online de agricultura orgânica e resolvi gastar os novos conhecimentos (rs). Meu professor é o engenheiro agrônomo Silvio Roberto Penteado, que publica os blogs www.viaorganica.com.br e www.agrorganica.com.br

Também estou envolvida com o lançamento do novo site da empresa Alimento Sustentável, que tem produtos orgânicos superbacanas (incluindo peixe, frango e ovos), faz entregas a domicílio em São Paulo e usa embalagens retornáveis. Veja lá: www.cestaorganica.com.br; www.pescadooriginal.com.br; www.queijoartesanal.com.br.

E continuo indicando as cestas orgânicas distribuídas pelo Sítio A Boa Terra (www.aboaterra.com.br), dos meus queridos amigos Joop e Tini.

37. Duas mulheres contra um veneno

Garrafinhas PET contém BPA, me avisaram. Fui pesquisar essa substância (que faz parte da maioria dos plásticos) e não gostei nem um pouco do que descobri.

Por causa do post anterior, conheci a Letycia e a Maria Fernanda, da campanha Água na Jarra (www.aguanajarra.com.br). Foram elas que me alertaram para o risco de usar e reutilizar garrafinhas PET. O problema se chama Bisfenol A, ou BPA, ingrediente de boa parte dos plásticos das embalagens de alimentos e bebidas. A substância interfere nos nossos hormônios (age no corpo como estrogênio) e boas fontes científicas afirmam ser cancerígeno.

Agradeci a dica, mas deu inveja das pessoas que mantêm distância dos dramas ambientais e passam a vida driblando pensamentos eco-sombrios.  Como não consigo ser assim, fui pesquisar o tal BPA no site http://www.otaodoconsumo.com.br/.

Lá descobri mais uma dupla de mulheres valentes, que lutam para que as próximas gerações recebam um mundo menos envenenado. Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros criaram a campanha “Você é o que você come na embalagem que consome” e defendem a proibição do Bisfenol A sobretudo em mamadeiras e produtos infantis. Isso já acontece no Canadá, Dinamarca, França, Costa Rica e em alguns estados norte-americanos. Aqui no Brasil, a discussão ainda se restringe aos meios científicos e há um lobby potente da indústria do plástico para manter tudo como está. A dupla do Tao do Consumo mantém contato com os pesquisadores brasileiros que estudam o assunto e montaram uma rede de apoio entre sites, blogs & cia. A iniciativa delas chegou à Sociedade Brasileira de Endocrinologia, que agora pretende iniciar uma campanha nacional pela proibição do BPA. Parabéns, Fabiana e Fernanda!

De volta às minhas garrafinhas de água, decidi adquirir uma de alumínio e livre de produtos químicos. Foi desenvolvida por um parceiro do Água na Jarra e andará comigo onde eu for. Depois de ser a cobaia, pretendo dar de presente para familiares e amigos, a começar pelos meus filhos.

Por falar em filhos, estou tentando não pensar nas milhares de vezes em que, quando eram pequenos, usaram mamadeiras possivelmente impregnadas de Bisfenol A. Até encontrei uma delas, bem velhinha, e fui ver de que tipo de plástico é feita. Para isso, basta olhar no fundo de qualquer recipiente desse material um número em relevo. A classificação era 4, correspondente ao PEBD, o polietileno de baixa densidade. (Isso você verifica nesse site aqui: http://www.reciclaveis.com.br/mercado/clasplas.htm). Só que, como não entendo nada de química, pouco adiantou.

Principalmente se você tem filhos pequenos, não deixe de ver as informações sobre BPA lá no http://www.otaodoconsumo.com.br/. Divulgue a campanha, indique para os amigos e tente ficar longe dessa substância não é nada boa para nós, mamíferos.

(Agora estou no twitter: @claudiavisoni)