31. A safra de tomates

Não sei o que é melhor: o gosto da salada ou a sensação de olhar para ela e lembrar de que cuidei das plantinhas desde que eram sementes.

Quando planejei uma horta em casa, a imagem que tinha na cabeça era de uma linda fileira de tomates com folhas muito verdes e frutos muito vermelhos. Isso foi em 2006, quando fizemos o projeto da casa. Em setembro, completaremos dois anos morando aqui e, finalmente, tenho uma safra de tomates!

No beiral do janelão da cozinha, acabo de contar 28 deles, prontos para virar salada ou molho. A colheita de alface e rúcula também está farta, de modo que inauguramos todas as refeições com verduras fresquinhas produzidas em casa. Não sei o que é melhor: o gosto dos vegetais na boca ou a sensação de olhar para eles e lembrar de que cuidei das plantinhas desde que eram sementes.

Mas não foi fácil chegar até aqui e ainda tenho muito o que aprender. Meus canteiros são suspensos, pois na parte de baixo da casa não há lugares com bastante sol (exceto o gramado onde meu filho joga futebol, espaço inegociável). Isso não é o ideal. Para complicar, a qualidade da terra a princípio não estava boa. O pior problema, no entanto, é que eu não tinha experiência nenhuma. Quem ajudou muito foi o agrônomo Marcelo Noronha, da Minha Horta (www.minhahorta.com.br), que se dedica às lavouras urbanas. Vale conhecer o trabalho dele e virar cliente, pois até em apartamento o Marcelo consegue produzir temperos e ervas.

Para resolver a questão da terra, durante todo esse tempo estou acrescentando um monte de “alimentos”: o composto orgânico que fazemos com as cascas e sobras de vegetais, o húmus que vem do minhocário doméstico e um adubo orgânico chamado Tsuzuki que descobri em minhas incursões às lojas de produtos agrícolas. Aliás, tenho feito compras ali com muito mais freqüência do que no shopping. De farinha de osso à máquina trituradora de galhos, a lista de esquisitices não tem fim.

Enquanto meus alfaces ficaram tão lindos que poderiam aparecer em capa de revista, as folhas dos pés de tomate amarelaram. A produção vai bem, mais quero que os tomateiros fiquem fortes e viçosos. No momento, a couve também preocupa, já que está crescendo devagar e pegando algumas pragas. Talvez porque essa não seja a época certa da espécie… 

De certeza mesmo, só que preciso estudar mais. Para tentar resultados melhores daqui para frente, estou lendo “Horta Doméstica e Comunitária sem Veneno”, de Silvio Roberto Penteado. Depois eu conto os próximos capítulos da roça urbana.