68. 10 razões para optar pelo orgânico

couve linda
Essa couve linda é da minha horta! 🙂

1 – É mais saudável para o consumidor
Os adubos químicos possuem apenas três componentes (nitrogênio, fósforo e potássio) enquanto os orgânicos têm também cálcio, magnésio, boro, zinco e vários outros elementos, além de proteínas, vitaminas, enzimas e aminoácidos. Portanto, os alimentos produzidos dessa forma são mais nutritivos. Além disso, pesticidas, hormônios e antibióticos aplicados na agricultura e na pecuária convencionais persistem nos produtos. Não adianta lavar, pois essas substâncias os impregnam internamente. 

2 – É mais saudável para o produtor
As maiores vítimas dos agrotóxicos são as pessoas que os manuseiam diretamente e que vivem perto das plantações tratadas quimicamente. Casos de envenenamento agudo não são incomuns, mas na maioria das vezes a contaminação se dá pouco a pouco, dia após dia, com consequências muito graves para a saúde.

3 – É mais justo
Produtores orgânicos só obtêm certificação se cumprirem rigorosamente todas as leis trabalhistas e oferecerem condições dignas aos trabalhadores do campo. A fiscalização por parte das entidades certificadoras é frequente.

4 – Preserva a pureza da água
Pesticidas e metais pesados utilizados nos compostos agroquímicos infiltram-se em lençóis freáticos e riachos. A eliminação da mata ciliar e o desrespeito à reserva legal de vegetação nativa, situações comuns no agronegócio convencional, comprometem nascentes e rios.

5 – Mantém a fertilidade do solo
Produtores orgânicos de pequeno porte não praticam a monocultura, não utilizam mecanização intensiva, só aplicam adubos de fontes naturais, mantêm a cobertura vegetal sobre o solo, fazem adubação verde, rotação de culturas e tomam precauções contra a erosão. Todos esses procedimentos preservam — e muitas vezes aumentam! — a capacidade produtiva do solo ao longo dos anos.

6 – Dá uma força para as pequenas propriedades agrícolas
Na agricultura convencional de larga escala, os pequenos não têm vez. O negócio só dá lucro na base do latifúndio, da monocultura e do consumo incessante de insumos caros. Os pequenos produtores quebram, empobrecem e muitos acabam tendo que vender suas terras e mudar para a periferia das cidades, iniciando um ciclo vicioso de problemas sociais. 

7 – Protege a biodiversidade
Na agricultura convencional, os agrotóxicos matam indiscriminadamente pequenos animais e afugentam pássaros. As sementes e espécies crioulas (nativas) são desprezadas. Reservas legais de mata comumente são desrespeitadas e a monocultura é priorizada. Todos esses fatores que contribuem para reduzir a biodiversidade não estão presentes na agricultura orgânica realizada em pequenas propriedades.

8 – Diminui a emissão de gases do efeito estufa
Fertilizantes químicos consomem muita energia na sua produção, geralmente de fontes petrolíferas. Por isso, as indústrias do setor ão grandes emissoras de gases relacionados ao aquecimento global.

9 – Deixa um mundo melhor para a próxima geração
A agricultura baseada em produtos químicos só resulta em produtos mais baratos porque não cuida dos problemas ambientais e de saúde pública que provoca, deixando para o futuro a difícil missão de solucioná-los. Caso fossem computados os gastos com despesas médicas, o pagamento justo aos produtores, os investimentos necessários para recuperar as fontes hídricas e a fertilidade do solo, seu preço seria muito superior ao dos produtos orgânicos. Quem consome orgânicos está pagando por benefícios indiretos para todos, como melhor qualidade da água, do ar, redução da temperatura terrestre e das erosões. 

10 – É mais gostoso
Além de todos os benefícios para a saúde, o meio ambiente e as relações sociais que a produção orgânica proporciona, os alimentos produzidos desse modo são muito mais saborosos. Essa é a opinião de chefs de cozinha renomados — como Alex Atala, Rodrigo Oliveira e Ana Luiza Trajano — e de milhares de consumidores em todo o mundo.

EXPLICANDO…
Esse post tem a ver com algumas novidades.

A primeira é que estou fazendo um curso online de agricultura orgânica e resolvi gastar os novos conhecimentos (rs). Meu professor é o engenheiro agrônomo Silvio Roberto Penteado, que publica os blogs www.viaorganica.com.br e www.agrorganica.com.br

Também estou envolvida com o lançamento do novo site da empresa Alimento Sustentável, que tem produtos orgânicos superbacanas (incluindo peixe, frango e ovos), faz entregas a domicílio em São Paulo e usa embalagens retornáveis. Veja lá: www.cestaorganica.com.br; www.pescadooriginal.com.br; www.queijoartesanal.com.br.

E continuo indicando as cestas orgânicas distribuídas pelo Sítio A Boa Terra (www.aboaterra.com.br), dos meus queridos amigos Joop e Tini.

66. Dia Mundial da Água

Em termos práticos, economizar água em casa faz pouca diferença. A atitude é política.

A mídia adora uma efeméride e fez barulho com o Dia Mundial da Água (22/3). Mas o clima não tem nada de festivo, já que as manchetes foram de “Vai faltar água em metade das cidades brasileiras em 2015” (Folha de São Paulo) a “Em 15 anos, 1,8 bilhão de pessoas no planeta enfrentarão escassez de água” (Metro).

Eu me sinto um pouco ridícula dando dicas para reduzir o consumo de água, pois, como os céticos gostam de lembrar, esforços individuais são praticamente nulos. A irrigação de lavouras fica com 70% da água disponível, enquanto a indústria pega 20% e apenas os 10% restantes vão para o consumo doméstico (sendo que, no Brasil, boa parte da água tratada é desperdiçada em vazamentos no sistema de distribuição).

Do que adianta então economizar em casa? Tenho um amigo que aconselha o filho adolescente a gastar toda a água que puder uma vez que, na visão dele, o meio ambiente já foi para a cucuia mesmo. Além de discordar dessa atitude, pois ainda tenho esperança no futuro da humanidade, acho cruel transmitir uma perspectiva tão sombria para uma pessoa tão jovem.

Sou absolutamente muquirana com água e economizo gotas. Para mim, trata-se de uma postura ao mesmo tempo simbólica, política e espiritual. Fechando a torneira,  a todo instante me obrigo a lembrar que a sociedade global precisa encontrar maneiras de gerir melhor esse recurso. A água para mim é sagrada e tento fazer a minha parte.

Aí vão as tais dicas tão batidas que é chover no molhado. Só que, pelo que observo, poucas pessoas já aderiram.

  1.  Escovar os dentes só de torneira fechada.
  2. Deixar o copo ao lado do filtro (ou na mesa de trabalho) e usar o mesmo dia todo.
  3. Em todas as ocasiões, fechar a torneira até o fim, bem forte, para não pingar.
  4. Tomar banhos rápidos e com a água do chuveiro fraquinha, fechando a torneira na hora de ensaboar.
  5. Seguir o conselho do SOS Mata Atlântica e fazer xixi no banho (http://www.xixinobanho.org.br/).
  6. Depois de fazer xixi no vaso sanitário, apertar a descarga de leve.
  7. Lavar carro usando balde em vez de esguicho.
  8. Lavar louça usando bacias (em vez de água corrente) para enxaguar.
  9. Limpar garagens, calçadas e quintais só com a vassoura.

Recomendo a leitura: http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/03/22/agua-tomar-banho-longo-e-o-menor-dos-problemas/.

36. O mundo não precisa de mais garrafas PET

Consumir água mineral engarrafada é péssimo para o meio ambiente e as supostas vantagens para a saúde estão sob suspeita. 

No supermercado me assusta ver alguém com o carrinho cheio de garrafas PET de água mineral. Fico imaginando as montanhas enormes de lixo plástico que aquela pessoa produz. Nos minutos intermináveis de espera enquanto não chega minha vez no caixa, me ponho a pensar nas motivações por trás do desejo de só consumir água mineral engarrafada.

Hipótese 1: Medo que a água da Sabesp esteja contaminada. (Um arrepio percorre minha espinha.)

Hipótese 2: Vontade de se sentir superior por poder pagar algo que é praticamente grátis. (Dois arrepios.)

A overdose de garrafas circulando pelo mundo é um dos maiores problemas ambientais que existem. Alguns motivos:
* Muita energia, matéria prima e combustível são gastos para embalar e transportar líquidos, contribuindo bastante para o aumento das emissões de gases do efeito estufa;
* A humanidade não tem mais onde jogar lixo e as garrafas PET representam boa parte do que vai parar nos aterros (não se iluda com a reciclagem: é difícil recolher tudo e as indústrias do setor não conseguem dar conta de tanto material);
* Nas cidades, o descarte inadequado entope tubulações e predispõe a enchentes;
* As garrafinhas que são transportadas pelos rios para o mar ficam séculos poluindo os oceanos, o que prejudica muito os animais marinhos.

Para complicar ainda mais, existem suspeitas de que as embalagens plásticas soltem resíduos tóxicos cancerígenos, eliminando qualquer vantagem para a saúde que esse tipo de produto teria sobre a água do filtro.

A economista Letycia Janot e a administradora Maria Fernanda Franco criaram uma campanha ótima chamada “Água na Jarra”  (http://www.aguanajarra.com.br/ ). Elas estão mobilizando pessoas e restaurantes a consumir e oferecer apenas a água não industrializada. Lá no site tem um milhão de informações sobre o assunto, todas muito bem embasadas por cientistas e especialistas. Mergulhando no Água na Jarra, descobri o excelente e assustador documentário norte-americano “Tapped”. Vale a pena ver, pelo menos o trailer: http://www.tappedthemovie.com/.

Faz tempo que eu ando para todo lado com uma garrafinha de água do filtro. E me sinto excelente, pois, quando tenho sede, basta abrir a bolsa e desatarraxar a tampa. É mais simples, mais prático e não gasto dinheiro à toa. Quando saio com a família, levo na mochila uma garrafinha para cada um. Nos restaurante, não peço mais água. Bebo antes de sair de casa o que, aliás, é melhor para a digestão (muito líquido na hora de comer estufa a barriga e dilui o suco gástrico).

Quando a sede bate em pleno restaurante, confesso que já fiz a baixaria de abrir minha garrafinha e colocar a água do filtro lá de casa no copo chique de cristal. Tento ser superdiscreta, o que não é meu forte. O medo que o maître me expulse dá um sabor extra de aventura ao programa.

(Agora estou no twitter, anote aí: @claudiavisoni)